segunda-feira, 25 de março de 2013

Vulcões Açorianos






VULCÕES AÇORIANOS





Existem actualmente 26 vulcões activos nos Açores. Dezoito em terra e oito submersos.




Segundo o Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos da Universidade dos Açores, esta classificação designa tanto os sistemas vulcânicos com potencial para entrar em erupção como os que registaram actividade nos últimos 10 mil anos.



São 26 os vulcões activos no arquipélago açoriano, segundo a classificação do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos do Observatório Vulcanológico e Sismológicos da Universidade dos Açores (UA).



Este organismo baseia-se na interpretação do “Catalogue of the Active Volcanoes of the World (CAVW)” que denomina um vulcão ou sistema vulcânico activo como aquele que se encontra em erupção ou que tem potencial para entrar em erupção, incluindo todos os que registaram actividade durante o Holocénico, ou seja, há 10.000 anos atrás.









Entre os 26 sistemas vulcânicos activos nos Açores, dezoito localizam-se em terra e oito são submarinos.

Por ilhas, São Miguel é a ilha com mais vulcões activos, possuindo cinco fenómenos desta natureza, designadamente o vulcão Sete Cidades, o sistema vulcânico fissural dos Picos e do Congro, o vulcão Água de Pau (Fogo) e o vulcão Furnas.

Logo a seguir, o Faial, e a Terceira possuem três vulcões com actividade.

Além do sistema vulcânico localizado na Horta e no Capelo, há ainda a registar o vulcão da Caldeira do Faial.

Na Graciosa existe o sistema vulcânico da Vitória e o vulcão Caldeira da Graciosa; em São Jorge o sistema de Manadas; nas Flores, o sistema vulcânico das Lagoas; no Pico, além do vulcão com o nome da ilha, que constitui o ponto mais elevado do país, existe ainda um sistema vulcânico fissural; e na mais pequena ilha, o vulcão do Corvo.



Serra de Santa Bárbara (Terceira)


 
   
Terceira vulcânica

Na ilha Terceira, além do vulcão Santa Bárbara e do Pico Alto, está identificado um sistema vulcânico fissural da Terceira, que atravessa toda a ilha segundo a orientação geral oeste/noroeste, desde o flanco noroeste do Vulcão de Santa Bárbara até à extremidade Sudeste da mesma, apresentando uma zona axial com cerca de dois quilómetros de largura.

Segundo o Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos, o segmento activo deste sistema vulcânico situa-se na região central da ilha, onde se observam diversos alinhamentos definidos pela presença de falhas e fracturas.

“Nos últimos 10.000 anos ocorreram cerca de 12 erupções sendo a mais recente a erupção histórica de 1761 durante a qual foram formados os cones de escórias do Pico do Fogo e do Pico Vermelho e produzidas as escoadas lávicas que avançaram até à freguesia dos Biscoitos”.






Assim, além do Vulcão dos Cinco Picos, que corresponde a um antigo vulcão central com caldeira, cujos flancos NE e SW, ainda preservados, definem a Serra do Cume e Serra da Ribeirinha, respectivamente, estão ainda identificado o Vulcão Guilherme Moniz; o Vulcão do Pico Alto; o Vulcão de Santa Bárbara; e o Graben das Lajes.

Guilherme Moniz (Terceira)


Vulcões submersos

Vulcão submarino
Serreta (Ilha Terceira
)
Também debaixo do mar, os Açores possuem vulcões activos, ao todo, conforme referido, oito: o sistema vulcânico submarino do Esporão do Mónaco, da Sabrina, Afonso Chaves, D. João de Castro, da Crista João Valadão, da Crista da Serreta, das Velas e do Cachorro.

Toda esta geomorfologia açoriana reflecte a localização única das ilhas: “o arquipélago dos Açores localiza-se na zona onde contactam as placas litosféricas americana, eurasiática e africana, facto que se traduz na existência de importantes sistemas de fracturas nesta região do Atlântico Norte. Por outro lado, na vertical dos Açores, a alguns quilómetros de profundidade, existem condições para se gerar magma. Este peculiar enquadramento geodinâmico reflecte-se na actividade sísmica e vulcânica registada na região”.

Desde o início do seu povoamento, no século XV, refere o Centro de investigação, que os sismos e erupções vulcânicas marcaram o arquipélago.

“Importantes movimentos de massa, quer associados a terramotos ou a erupções vulcânicas, quer gerados na sequência de condições meteorológicas extremas ou simples processos de erosão costeira, têm igualmente afectado as diversas ilhas”.


Centro de vulcanologia

 
O Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG) constituído estatutariamente em 1997, é uma unidade pluridisciplinar de investigação da UA, fazendo parte do CIVISA – Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores.

O CVARG é membro da World Organization of Volcano Observatories (WOVO) e parceiro da Fundação Gaspar Frutuoso (FGF), sendo as suas actividades 

dirigidas para a prevenção e da previsão de desastres, catástrofes e calamidades naturais, privilegiando a cooperação técnica e científica nacional e internacional no domínio da Vulcanologia e dos fenómenos associados, incluindo erupções vulcânicas, sismos, explosões de vapor, libertação de gases tóxicos, movimentos de massa e maremotos, entre outros.

Humberta Augusto
haugusto@auniao.com

Lagoa do Fogo (São Miguel)

LAGOA DO FOGO

A Lagoa do Fogo é uma das maiores lagoas dos Açores e a segunda maior da Ilha de São Miguel, e é classificada desde 1974 como reserva natural.



Faz parte integrante da Rede Natura 2000, pelo facto de ter sido classificada como zona especial de conservação, aprovado por Decisão da Comissão Europeia no dia 28 de Dezembro de 2001, nos termos da Directiva Habitats 92/43/CEE do Conselho. Esta lagoa de águas muito azuis ocupa uma área de 1 360 ha, que é bastante tendo em atenção as dimensões da própria ilha.


A lagoa do Fogo, ocupa a grande caldeira de vulcão adormecido do fogo. Este vulcão dá forma ao grande maciço vulcânico da Serra de Água de Pau, localizado no centro da Ilha de São Miguel. Todas esta zona é rodeado por uma densa e exuberante vegetação endémica.

Esta caldeira vulcânica, tal como o vulcão que lhe deu forma é a mais jovem da Ilha de São Miguel e ter-se-á formado há cerca de 15 000 anos. A sua configuração actual é resultado do último colapso, tido como importante e que ocorreu no topo do vulcão, há aproximadamente 5 mil anos. A última erupção data de 1563.


Esta lagoa, é também a mais alta da Ilha de São Miguel, facto que se deve a se encontrar no cimo de uma montanha cujo ponto mais alto se eleva a 949 metros. Localiza-se no topo do grande Vulcão do Fogo, também conhecido como vulcão de Água de Pau. A caldeira tem forma de colapso tem forma elíptica e dimensões aproximadas de 3 x 2,5 km. As paredes desta caldeira chegam a atingir desníveis de 300 metros.


A lagoa, devido a se encontrar no centro da cratera, localiza-se a uma cota bastante mais baixa, encontrando-se a 575 metros. A profundidade máxima atingida nesta lagoa são os 30 metros. Dentro de todo o perímetro da reserva natural, lagoa, cratera, e vertentes da mesma, destacam-se bastantes espécies de plantas endémicas dos Açores: é o caso do cedro-do-mato, o louro e o sanguinho. Surgem ainda a malfurada, a urze e o trovisco-macho.



A principal fauna, aqui representada pelos pássaros de pequenas dimensões é muitas vezes acompanhada por aves de grande porte como as aves de rapina. Assim, surge nos ares da lagoa, além das aves caracteristicamente terrestres como o pombo-torcaz-dos-Açores, o milhafre ou queimado, a alvéola-cinzenta e o melro-preto, as aves marinhas como a gaivota e o garajau-comum.



LENDA DA LAGOA DAS FURNAS



A Lenda da Lagoa das Furnas é uma tradição da ilha de São Miguel..

Trata-se de uma tentativa popular para explicar as formações geológicas deixadas nas ilhas pelos vulcões que lhe deram origem e forma.


Segundo a lenda, há muitos anos no local onde actualmente está localizada a Lagoa das Furnas, existia uma bonita aldeia onde as pessoas viviam felizes, faziam muitas festas e viviam quase sem trabalhar.

Numa bela manhã de céu e sol claro, como era costume fazer na aldeia, um rapaz saiu de casa para ir a uma fonte próxima buscar água para as lides domésticas e para dar de beber aos seus animais.

Mas a água que costumava ser sempre de agradável paladar estava estranhamente salgada, parecia água do mar e o rapaz teve uma premonição que ia acontecer alguma coisa estranha na sua aldeia e com os seus conterrâneos.

Correu para casa dos seus vizinhos para contar o que lhe acontecera, o que vira e o que pensara sobre o caso. Ninguém acreditou nas apreensões do rapaz, e alguns dias depois ele teve de voltar à fonte para ir buscar mais água.

No lago em frente à nascente, para onde corria a bica da água, os peixes saltavam na água e desta para terra, onde acabavam por morrer. Definitivamente convencido de algo ia acontecer à sua aldeia, correu para junto da população, mas novamente ninguém acreditou nele, a não ser o seu avô.

O idoso disse às pessoas da aldeia que parassem com os bailes e com as festas; que um dos mais ligeiros habitantes da aldeia fosse a correr até ao pico mais alto em redor para ver o mar e olhar para o norte, para tentar ver se havia alguma ilha no horizonte, alguma terra à vista a norte. Como ninguém o levou a sério, só o idoso e o seu neto subiram ao monte mais alto.

Quando lá chegaram, via-se no horizonte terra nova, uma ilha despontava pelo meio da bruma. Aflito, o idoso gritou para os aldeões que fugissem para a igreja, vinha aí grande desgraça, no horizonte encontrava-se a ilha encantada das Sete Cidades. Novamente ninguém ligou, nem ao idoso nem ao seu neto. Possivelmente nem o ouviram de tão alta era a música. Desceram ambos o monte, e depois de passarem pela igreja foram tratar dos animais e da vida imediata.

Passou um, dois dias e nada acontecia. O rapaz e o avô resolveram sair da aldeia para levarem os animais ao mercado da aldeia vizinha e por lá se demoraram alguns dias a negociar. Quando voltavam à sua aldeia, à medida que se foram aproximando foram-se apercebendo que as coisas estavam diferentes. Havia terra revoltada e montanhas novas. Ao chegar ao lugar onde devia estar a sua aldeia, esta tinha desaparecido e no seu lugar encontrava-se uma grande lagoa de águas cristalinas e tranquilas. Fora um cataclismo que soterrara para sempre a aldeia.

As pessoas da ilha de São Miguel, reza a lenda, acreditam que os aldeões continuam a viver debaixo das águas da lagoa, e que as borbulhas de gás vulcânico que se vê a sair da água são as pessoas a cozinhar lá no fundo. Dizem que os fumos, tipo fogo-fátuo que por vezes se elevam das águas junto com um cheiro a pão de milho cozido, são as mulheres a aquecer o forno escondidas nos fundos e nas reentrâncias da bela lagoa.






LENDA DA LAGOA DAS SETE CIDADES


A Lenda da princesa e do pastor no reino das Sete Cidades é uma tradição oral da ilha de São Miguel. Versa sobre a origem das lagoas da caldeira do vulcão das Sete Cidades que, apesar de unidas, têm duas cores diferentes, sendo uma verde e outra azul. Esta lenda faz parte do complexo lendário das Sete Cidades, um reino antigo e mítico, perdido algures no grande mar oceano ocidental.


Os réis desta terra encantada tinham uma linda filha que não gostava de se sentir presa entre as muralhas do castelo e saía todos os dias para os campos.

Adorava o verde e as flores, o canto dos pássaros, o mar no horizonte. Passeava-se pelas aldeias, pelos montes e pelos vales.

Durante um dos seus passeios pelos campos conheceu um pastor, filho de gente simples do campo que vinha do trabalho com os seus rebanhos. Conversaram quase toda uma tarde das coisas da vida, e viram que gostavam das mesmas coisas. Dessa conversa demorada veio a nascer o amor e passaram a encontrar-se todos os dias, jurando amores eternos.



No entanto a princesa já com o destino traçado pelos seus pais, tinha o casamento marcado com um príncipe de um reino vizinho. E quando o seu pai soube desses encontros com o pastor, tratou de os proibir, concedendo-lhe no entanto um encontro derradeiro para a despedida.

Quando os dois apaixonados se encontraram pela última vez, choraram tanto que junto aos seus pés aos poucos foram crescendo duas lagoas. Uma das lagoas, com águas de cor azul, nasceu das lágrimas derramadas pelos olhos também azuis da princesa.

A outras, de cor verde, nasceu das lágrimas derramadas dos olhos também verdes do pastor.

Para o futuro ficou, reza a lenda, que se os dois apaixonados não puderam viver juntos para sempre, pelo menos as lagoas nascidas das suas lágrimas ficaram juntas para sempre, jamais se separando.



domingo, 17 de março de 2013

Augusto Gomes



Augusto Gomes


Nascido em Angra do Heroísmo, a 6 de Maio de 1921, tendo falecido em Novembro de 2003, Augusto Gomes foi Escritor, Investigador, Contista, Jornalista e Autor consagrado de muitas publicações especializadas na área da Culinária, da História e da Etnografia das Ilhas dos Açores. 

Tendo frequentado a antiga Escola Madeira Pinto (Angra do Heroísmo), completaria os seus estudos com o Curso Comercial da antiga Escola António Augusto de Aguiar, no Funchal, em 1940.

Várias vezes premiado em Concursos Literários, de Contos e em Jogos Florais, Augusto Gomes foi assíduo colaborador da Imprensa, da Rádio e Televisão Açorianas. 

Homem de Teatro, escreveu, ensaiou e interpretou as Revistas Alagado pingando, Em mangas de camisa, Talvez te enganes e Faz-me cócegas, tendo também ensaiado e desempenhado o papel principal (“Ti Cândido”) na Opereta Glória ao Divino (1959) de Frederico Lopes, e interpretado a figura de Frei João da Ribeira no Auto Ao mar... (1960) de Coelho de Sousa. Escreveu ainda e ensaiou a Opereta Regional Amor Campestre, levada à cena pelo Grupo Teatral do Posto Santo. 

Entre outras, Augusto Gomes foi também autor das seguintes obras, muitas delas esgotadas ou com edições sucessivas: 

- Cozinha Tradicional de S. Miguel, Prefácio de Silveira Paiva, Angra do Heroísmo, 1988; Cozinha Tradicional de Santa Maria, Prefácio de Maria da Conceição Bettencourt Medeiros, Angra do Heroísmo, 1998; O Peixe na Cozinha Açoriana e Outras Coisas Mais, Prefácio de João Vieira Gomes, Angra do Heroísmo, 2001; Perdoe pelo Amor de Deus, Prefácio de Manuel Coelho de Sousa, Angra do Heroísmo, 1981; Alma da nossa Gente, Prefácio de Jorge Forjaz, Angra do Heroísmo, 1993; Teatro Angrense, Elementos para a sua História, Prefácio de Joaquim Ponte, Angra do Heroísmo, 1993; Filósofos da Rua, Introdução de Sérgio Ávila, Prefácio de Luísa Brasil, Angra do Heroísmo, 1999, e Danças de Entrudo nos Açores, Prefácio de Eduardo Ferraz da Rosa, Angra do Heroísmo, 1999. 

No seu Estudo Introdutório a um dos últimos livros de Augusto Gomes, o Dr. Eduardo Ferraz da Rosa escreveu assim: 

- “Se em Filósofos da Rua bem diversificada e exemplarmente revelou Augusto Gomes o seu pendor evocativo de Contista e Cronista [...], já em A Alma da nossa Gente os usos, costumes, festas, ritos, utensílios, artefactos, devoções, hábitos, crenças, valores, etc., do Povo da Ilha Terceira [...], reaparecem à evidência possível de e para uma visão maravilhada das nossas tradições mais ancestrais. 

“ Naquilo que traduzem, assumidamente entre modelos realistas e ficcionados, das tessituras humanas, socio-históricas e de muitas das topografias referenciais, concretas e imaginárias da Ilha Terceira e da Cidade de Angra do Heroísmo, os livros e os registos coloquiais directos de Augusto Gomes preservam com dignidade um estilo de discurso e de memória locais, marcando e reflectindo uma época, uma linguagem geracional, uma gramática social e uma paisagem poética internamente coerentes. 

“E depois, por todo o conjunto desse articulado e complementar labor de criação, investigação e conteúdo de arquivo patrimonial antropológico, as obras deste terceirense [...] deixam palpitar e entretecer, exactamente pelos tempos e espaços acima e abaixo das múltiplas e respectivas gerações da nossa terra insular, muito do mais decisivo perfil signitivo da alma da Pátria Açoriana”.













Pedro de Merelim


Pedro de Merelim







Pedro de Merelim, pseudónimo de Joaquim Gomes da Cunha (São Pedro de Merelim, 1913 - Angra do Heroísmo, 2002), foi um militar, historiador e etnógrafo dos Açores. No Exercito Português alcançou o posto de Sargento.


Biografia


Nascido no Concelho de Braga, veio para os Açores integrado no Corpo Expedicionário Português enviado paro o arquipélago durante a Segunda Guerra Mundial.

1943 - Sobrescrito, censurado, isento de franquia, expedido
de Angra do Heroísmo para Lisboa, da Expedição Militar aos Açores


Fixou-se em Angra do Heroísmo, onde desenvolveu um importante labor de investigador da história e tradições locais, tendo publicado volumosa obra sobre esses temas.


1957 - Sobrescrito e carimbo comemorativo (Velas - São Jorge) da visita presidencial aos Açores.
Edição do Núcleo Filatélico de Angra do Heroísmo


É o autor da frase "E Portugal já foi só aqui!", publicada no número especial do jornal terceirense "A União" em 1957, quando da visita do então presidente da República, General Craveiro Lopes.


1957 - Bilhete Postal  com carimbo comemorativo da Visita Presidencial
a Angra do Heroísmo, do General Craveiro Lopes.

1959 - Sobrescrito e carimbo comemorativo das Festas da Cidade
de Angra do Heroísmo. Edição do Núcleo Filatélico de Angra do Heroísmo,
onde se pode constatar a inscrição
"PORTUGAL JÁ FOI SÓ AQUI"


Cumprido o serviço militar, fixou residência em Lisboa, mas logo é reincorporado por ocasião da II Guerra Mundial, vindo cumprir serviço na ilha Terceira, onde se fixa. Passa aos quadros do Exército, após a guerra, e dá largas à sua verdadeira vocação, que é a de jornalista, usando o pseudónimo de Pedro de Merelim.


Pertenceu ao corpo redactorial do jornal A União, durante 38 anos, chegando a exercer o cargo de redactor-chefe e chefiou o gabinete de notícias do Rádio Clube de Angra.


Escreveu milhares de textos (artigos, reportagens, locais, crónicas de viagem) que publicou em jornais açorianos, do continente e da Guiné-Bissau.

Foi correspondente entre 1953 e 1972 de O Primeiro de Janeiro (Porto) e colaborador de O Século e do Jornal do Comércio, ambos de Lisboa.



O mais importante do seu trabalho é constituído por obras que versam temas de grande relevância local e regional, num total de 22 títulos, e por artigos publicados na Atlântida, revista do Instituto Açoriano de Cultura.


Foi autodidacta, por não ter podido beneficiar de formação de nível superior e, por isso, nem sempre manuseou da forma mais adequada as normas da investigação; Pedro de Merelim foi, no entanto, um historiógrafo exemplar, pela sua grande seriedade e probidade intelectual, no que constitui um exemplo para qualquer investigador.



Legou o seu espólio, em vida, à Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra.



Obra

  • Guia Turístico da Terceira, Agência Teles, Angra do Heroísmo, 1948.
  • A Terceira ajoelhada aos pés da Virgem de Fátima, Tipografia Moderna, Angra do Heroísmo.
  • Subsídios para a história do futebol na ilha Terceira, Angra do Heroísmo, 1956.
  • Asilo de Mendicidade, sumário histórico no 1.º centenário da fundação, Angra do Heroísmo, 1960.
  • Notas sobre os conventos da ilha Terceira, 3 volumes, A União, 1960, 1963 e 1964.
  • Memória histórica da edificação dos Paços do Concelho, Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1966 (reeditado em 1973 e em 1984).
  • Os Hebraicos na ilha Terceira, revista Atlântida (1968), reeditado pelo autor em 1995.
  • Filarmónica recreio dos Artistas, edição da Filarmónica, Angra do Heroísmo, 1967.
  • Memória sobre o Serviço de Incêndios, 78 pp., Associação de Bombeiros Voluntários de Angra, 1969.
  • Caixa económica da Santa Casa da Misericórdia de Angra, Santa Casa da Misericórdia de Angra, 1971.
  • Toiros e touradas na ilha Terceira, União Gráfica Angrense, 1970.
  • Memória histórica do Salão Municipal, Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1970.
  • Rádio Clube de Angra, 192 pp., edição do Radio Clube de Angra, Angra do Heroísmo, 1972.
  • As 18 paróquias de Angra, 874 pp., Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1974.
  • Fernando Pessoa e a ilha Terceira, 123 pp., Colecção Ínsula, Angra do Heroísmo, 1975.
  • A laranja na ilha Terceira, 91 pp., inserto em A União, 1976.
  • Serviços Municipalizados de Angra, 201 pp., Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, 1979.
  • Cooperativas que houve na Terceira, Angra do Heroismo.
  • Freguesias da Praia, 2 volumes, 797 pp., Direcção Regional de Orientação Pedagógica, Angra do Heroísmo, 1983.
  • Merelim (São Pedro), 545 pp., Junta de Freguesia de Merelim, 1989.
  • Adenda à Monografia de Merelim (São Pedro), Junta de Freguesia de Merelim, 1995.
  • Açorianos ministros de Estado, edição do autor, Angra do Heroísmo, 1996.
  • Monografia da Agência Teles, Agência Teles, Angra do Heroísmo, 1996.

quarta-feira, 13 de março de 2013

São Francisco Xavier



São Francisco Xavier


São Francisco Xavier foi um grande missionário. Dedicou os últimos 11 anos da sua vida a evangelizar a Índia, o sudeste asiático e o Japão, num incrível périplo que deixou à sua passagem a semente de Cristo a partir da qual começaram a crescer as comunidades cristãs. O santo navarro é padroeiro das missões e da Jornada Mundial da Juventude de Madrid.

Francisco Xavier nasceu em 1506 no castelo familiar, muito próximo da capital navarra, Pamplona. De família abastada, os seus pais enviaram-no a estudar a Paris, em cuja universidade veio a conhecer Santo Inácio de Loyola. Num primeiro momento apenas tem um contacto formal com o vasco, mas através de amigos comuns Xavier aproxima-se de Inácio. O fundador dos Jesuítas interpela-o a viver uma vida de plenitude, que só é possível com uma entrega total a Cristo. Xavier resiste, até que finalmente aceita o convite de Inácio para assistir a um retiro especial. Trata-se dos ‘exercícios espirituais’ jesuítas, o principal de todos, no qual – dirigido por Inácio - Xavier fica profundamente tocado e decidido a seguir Cristo.




A Companhia de Jesus


AD MAIOREM DEI GLORIAM
Para a maior glória de Deus
Xavier forma parte dos sete primeiros seguidores de Santo Inácio, consagrados a Deus em 1534. O plano de Inácio é o de viajar para a Terra Santa, mas acaba abandonando o projecto. Xavier é enviado em 1540 para a Índia. Para isso é necessário partir de Lisboa. O rei tem-no em tão grande estima devido à sua fama de santidade que o retém durante um ano. Finalmente em 1541 parte para o Oriente.

O barco de Xavier demora 13 meses a chegar ao seu destino, tempo no qual exerce a tarefa de director espiritual da embarcação. Finalmente chegam à colónia portuguesa de Goa em 6 de Maio de 1542.

Xavier encontra nas colónias um ambiente de abandono da prática religiosa e um abuso dos nativos, que são tratados como escravos ou como seres inferiores. Xavier denuncia isto em diversas ocasiões perante as autoridades locais, chegando inclusivamente a insistir com o rei de Portugal para que tomasse medidas contra os abusos. Xavier revela nas suas cartas que o trato dos cristãos de origem europeia para com os seus irmãos indígenas é “uma espinha cravada no meu coração”.

O ardor missionário de Xavier fá-lo viajar pelas diferentes colónias portuguesas do Oriente nesses anos. Ele visita a tribo dos Paravas que vive na costa de Ceilão, Malásia, Indonésia, a tribo das Molucas… e muitas outras.


Japão e China


Japão é o próximo objectivo do missionário navarro para onde parte em 1549. No Japão consegue a conversão de milhares de pessoas, ajudado por três japoneses que conheceu na Índia. Xavier viaja de cidade em cidade: Kagoshima, Hirado, Yamaguchi, Kioto, são testemunhas do apostolado de Xavier que deixa uma fecunda comunidade cristã que permaneceu através dos séculos até aos nossos dias.



1552 registou o regresso de Xavier à Índia, a partir de onde se multiplica para atender as diferentes colónias. Na sua ausência os abusos para com os indígenas aumentaram e Xavier concentra a sua preocupação em corrigir esses abusos e confirmar na fé os seus irmãos. Ali conhece um jovem chinês. A sua terra desperta o desejo do missionário para ir lá pregar a Palavra de Deus. Em Abril de 1552 parte para a China, um país até ao momento inacessível para os estrangeiros.

A sua ideia é desembarcar na ilha de Sancián, frente à costa chinesa e introduzir-se furtivamente no país, mas os seus planos não correm como esperava.

Xavier contrai uma febre que o deixa muito doente na ilha, é acolhido por um comerciante português, que o recebe numa cabana sem condições. De modo que, passadas poucas semanas naquele estado, em 3 de Dezembro de 1552 entrega a sua alma a Deus às portas da China.

Xavier entregou-se a Deus sem reservas. Como todos, se num primeiro momento resistiu a una vida de exigência, de anúncio da Palavra, depois aceitou a vontade de Deus para ser o seu instrumento. As comunidades cristãs do Oriente fundadas ou confirmadas pelo santo permanecem até hoje.

São Francisco Xavier foi canonizado em 1622, como aconteceu com Inácio de Loyola, Teresa de Jesus, Filipe Neri e Isidro o Lavrador.

Data de Nascimento: 07 de Abril de 1506; Castelo de Xavier, Navarra, Espanha.
Dia litúrgico: 3 de Dezembro
Causa da morte: Febre contraída durante a actividade missionária na China.
Título na Igreja: Apóstolo do Extremo Oriente.
Conhecido por: Ser um gigante na história das missões, baptizando mais de 50.000 pessoas de todas as raças e idades, desde crianças até estudantes universitários, de pobres leprosos a reis saudáveis.
Evangelizador em: Toda a Ásia, África, as Índias Orientais.
Padroeiro de: Missões ad gentes, missionários, navegantes, missões paroquiais, Austrália, China, Índia, Japão e Nova Zelândia.
Virtudes a imitar: Permitir que Deus se sirva dele para pregar o Evangelho e servir a humanidade onde Ele quiser, não deixar que os estudos tenham prioridade sobre a vida espiritual, trabalhar incansavelmente para instaurar o Reino de Deus na terra, mesmo em circunstâncias difíceis.
Sabia que.? São Francisco Xavier estudou com Santo Inácio de Loyola, na Universidade de Paris. São Francisco vivia uma vida mundana e converteu-se quando Santo Inácio lhe disse estas palavras do Evangelho: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma" (Mc 8,26).

Fonte: Despertai







As Viagens de São Francisco Xavier