sábado, 9 de dezembro de 2017

Feliz Natal





Presépio Josefa de Óbidos
Século XVII
Museu Nacional de Arte Antiga


Natal é um feriado e festival religioso cristão comemorado anualmente em 25 de Dezembro (nos países eslavos e ortodoxos cujos calendários eram baseados no calendário juliano, (o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro), originalmente destinado a celebrar o nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno adaptado pela Igreja Católica no terceiro século d.C., para permitir a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano, passando a comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré.
 


Os primeiros indícios da comemoração de uma festa cristã litúrgica do nascimento de Jesus em 25 de dezembro é a partir do Cronógrafo de 354.

Essa comemoração começou em Roma, enquanto no cristianismo oriental o nascimento de Jesus já era celebrado em conexão com a Epifania, em 6 de janeiro. A comemoração em 25 de dezembro foi importada para o oriente mais tarde: em Antioquia por João Crisóstomo, no final do século IV provavelmente, em 388, e em Alexandria somente no século seguinte. 


Mesmo no ocidente, a celebração da natividade de Jesus em 6 de janeiro parece ter continuado até depois de 380.

No ano 350, o Papa Júlio I levou a efeito uma investigação pormenorizada e proclamou o dia 25 de Dezembro como data oficial e o Imperador Justiniano, em 529, declarou-o feriado nacional. 
 


A Bíblia regista o papel de Maria em eventos importantes da vida de Jesus, desde o seu nascimento até a sua ascensão. Escritos apócrifos falam de sua morte e posterior assunção ao céu.
Os cristãos da Igreja Católica, da Igreja Ortodoxa, da Igreja Ortodoxa Oriental, da Igreja Anglicana e da Igreja Luterana acreditam que Maria, como mãe de Jesus, é a Mãe de Deus (Μήτηρ Θεοῦ) e a Theotokos, literalmente Portadora de Deus. 



 
Maria foi venerada desde o início do cristianismo. Ao longo dos séculos ela tem sido um dos assuntos favoritos da arte, da música e da literatura cristã.

O nome "Maria" vem do grego Μαρία, que é uma forma abreviada de Μαριάμ. O nome do Novo Testamento foi baseado em seu nome original em hebraico, מִרְיָם ou Miryam. Ambos, Μαρία e Μαριάμ, aparecem no Novo Testamento.
Maria, a mãe de Jesus, é chamada pelo nome cerca de vinte vezes no Novo Testamento.

 
 
 

Criarei o litígio (como sinónimo de diferença) entre você e a Mulher e entre a sua semente e a semente Dela" (Génesis 3:15). O profeta Isaías clarifica mais ainda esta profecia, indicando que Ela, a Mulher escolhida para gerar o Messias-Emanuel, será Virgem: "Pois por isso o Senhor Deus vos dará este sinal" - diz o profeta aos pouco crentes descendentes de David. E apesar do termo "Virgem" parecer estranho aos antigos povos judeus, (uma vez que necessariamente pressupõe uma relação conjugal), eles não se atreveram a trocar a palavra "Virgem" por outra do tipo "Mulher". Portanto: "Uma Virgem conceberá e dará a luz um filho, e seu nome será Emanuel" - nome que significa: Deus está connosco" (Isaías 7:14).





Bilhetes Postais de Boas Festas
 






 
 
 


 








FELIZ NATAL PARA TODOS





 






sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Confraria de N.ª S.ª da Conceição (1717-2017)

 
 
 
Confraria de
Nossa Senhora da Conceição
3.º Centenário
(1717 - 6 de dezembro - 2017)
 
 
 
2017-12-06 - Sobrescrito comemorativo
do 3.º centenário da Confraria de
Nossa Senhora da Conceição
 
 
 
Selo comemorativo
A Confraria de Nossa Senhora da Conceição foi fundada a 6 de dezembro de 1717. As convulsões políticas e sociais do início do século XX terão tido, certamente, influência na inatividade que se seguiu e que perdurou até ao início deste século.

Aproveitando as comemorações do 450.º aniversário da criação da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, o pároco e reitor do Santuário, Pe. Francisco Dolores Monteiro Borges de Medeiros, e um grupo de paroquianos resolveram reativá-la e, a 8 de dezembro de 2003, a Confraria foi reinstalada e agora está a comemorar o tricentésimo aniversário da sua fundação.

 Hoje, pujante, com um número de confrades e confreiras a rondar as duas centenas, a Confraria está ativamente envolvida em toda a vida religiosa do Santuário marcando presença em todas as Obras e Movimentos da Paróquia. Toma iniciativas e dinamiza ações que promovem e incentivam o culto à Virgem Santa Maria neste seu Santuário, e desenvolve a sua atividade pondo um enfoque especial na formação dos seus membros.

 

 
Carimbo comemorativo

Virada para a espiritualidade, não descura o temporal e é assim que chama a si a recuperação do valioso património do Santuário, tomando a liderança do processo de restauro de todas as numerosas pinturas da igreja, num investimento superior a 240 000,00 euros, que acaba de dar por concluído.


Esta efeméride, que agora celebramos, dá-nos novo alento e renova-nos o compromisso para, com ações concretas, continuarmos a honrar a nossa história e a construir um futuro de participação que contribua para o crescimento pessoal e espiritual dos membros da Confraria e para a divulgação do espaço espiritual que o Santuário de Nossa Senhora da Conceição deve ocupar na vida dos cristãos da Cidade Património da Humanidade e da Diocese de Angra. 


Angra do Heroísmo, 6 de dezembro de 2017 
O Juiz da Confraria, 
Duarte Manuel Bettencourt Mendes


Vídeo em:  300 anos Confraria
 
 
 
 
SANTUÁRIO MARIANO
30.º Aniversário
1987 - 8 de dezembro - 2017
 
 














Bilhete Postal comemorativo do 50º aniversário [1854-1904]
 do dogma pelo Papa Pio IX em 8-12-1854






Imaculada Conceição é, segundo o dogma católico, a conceção da Virgem Maria sem mancha ("mácula" em latim) do pecado original. O dogma diz que, desde o primeiro instante de sua existência, a Virgem Maria foi preservada por Deus, da falta de graça santificante que aflige a humanidade, porque ela estava cheia de graça divina. Também professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de pecado.


A festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro, foi definida como uma festa universal em 1476 pelo Papa Sisto IV.

A Imaculada Conceição foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX em sua bula Ineffabilis Deus em 8 de Dezembro de 1854. A Igreja Católica considera que o dogma é apoiado pela Bíblia (por exemplo, Maria sendo cumprimentada pelo Anjo Gabriel como "cheia de graça"), bem como pelos escritos dos Padres da Igreja, como Irineu de Lyon e Ambrósio de Milão. Uma vez que Jesus tornou-se encarnado no ventre da Virgem Maria, era necessário que ela estivesse completamente livre de pecado para poder gerar seu Filho.



1946 - Série comemorativa dos 300 anos da Proclamação
 de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal


1996 - Moeda comemorativa, prata 1.000$00, comemorativa dos 350 anos
da Proclamação de Nossa Senhora da Conceição como Padroeira de Portugal







Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Angra do Heroísmo

Elevada a Santuário Mariano a 8 de Dezembro de 1987




25º. ANIVERSÁRIO
(1987-2012)




Nossa Senhora da Conceição
Angra do Heroísmo

História:


Remonta à primitiva Ermida de Nossa Senhora da Conceição, erguida entre os anos de 1460 e 1474, por iniciativa de Álvaro Martins Homem, um dos primeiros povoadores de Angra. A ele se deve ainda, no mesmo período, a construção da primitiva Ermida de São Salvador, atual Sé Catedral.

Embora se desconheça a data da sua edificação, Alfredo da Silva Sampaio refere que o mais antigo documento que se conhece a respeito da Igreja da Conceição é um Alvará de D. João III de Portugal, passado em 26 de Março de 1553, determinando ao bispo que a ermida passasse a sede da paróquia de mesmo nome.


Datas históricas:


Fonte: Wikipédia


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Angra Cidade Património

 
 
 


ANGRA DO HEROÍSMO
PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Selo postal comemorativo






Ainda Angra do Heroísmo tinha pedras caídas pelas ruas e pó no ar, na sequência do sismo de 1 de Janeiro de 1980, quando o Instituto Histórico da Ilha Terceira decidiu promover o propósito de inscrever a cidade na então reduzida lista de pouco mais oito dezenas de monumentos e sítios classificados pela UNESCO como Património da Humanidade.


Carimbo comemorativo
O Dr .Álvaro Monjardino tomou a seu cargo a tarefa de convencer o ICOMOS (International Council on Monuments and Sites) que Angra do Heroísmo deveria ser classificada como Património Mundial por estar associada a um acontecimento relevante da história universal: a exploração marítima dos séculos XV e XVI que permitiu estabelecer laços entre as diferentes civilizações da terra.

Flâmula comemorativa


O processo relativo às diligências que culminaram com classificação de Angra do Heroísmo começou em 1981, quando foram desenvolvidos os primeiros contactos junto da UNESCO e em Lisboa. A decisão favorável foi tomada a 7 de Dezembro de 1983 pelo Comité do Património Mundial na reunião realizada Florença (Itália).


Numa conferência no âmbito das comemorações do 25º aniversário da classificação de Angra do Heroísmo pela UNESCO, realizada a 13 de Março no Salão Nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Álvaro Monjardino recordou as diversas etapas que estiveram na origem da atribuição do título de Património Mundial.

“A inclusão de zona central de Angra na lista do Património Mundial acabou efectivamente recomendada pelo ICOMOS “no quadro de uma proposta global sobre as explorações marítimas dos séculos XV e XVI”, com expressa menção das escalas no retorno das Índias orientais e ocidentais, da Provedoria das Armadas, da escolha do terreno em função de um porto que ia servir para isso mesmo, de uma malha urbana desenhada em função desse porto e, facto admitido como único, da meteorologia condicionante, além de um sistema defensivo inexpugnável”, referiu.


Durante a conferência, o Dr. Álvaro Monjardino lembrou que “ao longo dos seus mais de quinhentos anos de existência como povoação deixou-lhe marcas físicas que, tendo muito a ver com a História da ilha e do arquipélago, têm a ver também com a História portuguesa, a ibérica e a universal”.


Nesse sentido, recordou que o século XV corresponde à era dos Descobrimentos e à criação do núcleo urbano, o século seguinte a crescimento de uma cidade que assume a sua importância portuária intercontinental.


O século XVII ficou marcado pela ocupação espanhola e, posteriormente, pela Restauração, enquanto no século seguinte é mercado pela decadência da importância da cidade e no século XIX pela era Liberal e a resistência ao absolutismo. Durante o século XX Angra já tinha perdido a influência que foi tendo ao longo de mais de quatrocentos anos.

“Ficaram ressentimentos, prosápias antigas, hábitos de lazer e um marasmo que apenas o movimento de ideias havido na década de 60 conseguiu sacudir. Tal sacudidela contudo não se reflectiu de forma positiva no património construído. Pelo contrário. Quiçá com a única excepção do solar restaurado dos Bettencourts-de-Trás-da-Sé, essa época deixou sobretudo provas de insensibilidade perante a herança cultural que esse património representava.




Eliminaram-se notáveis edifícios seiscentistas, continuaram a desfigurar-se as fortalezas de São Sebastião e do Monte Brasil, desactivou-se a plurissecular Ribeira dos Moinhos e alteraram-se fachadas harmoniosas e castiças em nome de um progresso mal entendido, ao querer-se mesquinhamente uma cidade nova dentro de uma cidade velha e que valia como e por isso mesmo”.


Segundo o Dr. Álvaro Monjardino, foi o terramoto de 1980 que veio por um travão a descaracterização do património arquitectónico de Angra do Heroísmo.

“Por um lado, o mundo culto descobriu esta cidade esquecida, marco da expansão europeia, apesar de tudo ainda preservada pela sua própria decadência. Por outro, começou localmente a consciencializar-se o valor intrínseco, em termos culturais e até em possível qualidade de vida, deste testemunho do passado”, frisou.
 
A nível regional e por via legislativa foram tomadas medidas para que a cidade pudesse ser reconstruída, tendo como referência a sua herança cultural e histórica.


Esta capital histórica da Ilha Terceira é considerada Património Mundial pela UNESCO, sendo uma das três capitais regionais dos Açores, juntamente com a Horta e Ponta Delgada.

Esta ilha portuária e antigo forte do século XVI foram de importância estratégica para mercadores e comerciantes portugueses e espanhóis, ao longo dos séculos, que usavam o porto abrigado da ilha como ponto de paragem entre África, Europa e as Índias Ocidentais e Américas.

O explorador Vasco da Gama enterrou, aqui, o seu irmão, em 1499, após a sua longa viagem até à Índia. No século XVII, o porto recebeu galeões espanhóis carregados de tesouros do Novo Mundo.

O seu rápido crescimento como centro de comércio marítimo mereceu-lhe a designação de primeira cidade dos Açores, na década de 1530, enquanto o Papa Paulo III nomeou Angra como uma diocese com jurisdição religiosa sobre o resto do arquipélago.

Angra viria a desempenhar funções importantes na história de Portugal durante a Crise de Sucessão de 1580, ao não aceitar a suserania de Filipe de Espanha e apoiando o candidato alternativo ao trono português, António I, que estabeleceu, aqui, governo em exílio durante dois anos entre 1580 e 1582.

Mais tarde, quando a monarquia portuguesa foi restaurada, na Restauração de 1640, a cidade expulsou os ocupantes espanhóis que haviam tomado controlo do Forte de São Benedito do Monte Brasil e, devido aos seus esforços, viu-lhe ser atribuído o título de Sempre Leal Cidade pelo Rei D. João IV, em 1641.

Posteriormente, outro rei português, Afonso VI, refugiou-se no forte desde 1669 até 1684, após ser deposto pelo seu irmão, o Rei D. Pedro II.

É interessante salientar que Angra viu-lhe ser dado o sufixo Heroísmo pela Rainha portuguesa Maria II, no século XIX, como reconhecimento do seu papel nas disputas parlamentares Liberais que decorreram no início do século XIX, a seguir à Guerra Peninsular. Durante tal período, a cidade tornou-se o centro do apoio Liberal e, por isso, foi apelidada de Capital Constitucional do Reino durante a Guerra Civil de 1828-1834.

A cidade serviu, também, como refugio para a rainha exilada entre 1830 e 1833 e para o escritor, orador e político João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, durante a Guerra Peninsular.















Sobrescrito e selo comemorativo
do 30º aniversário de Angra do Heroísmo
PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE

Sobrescrito e selo comemorativo dos 480 anos da
Elevação de ANGRA a Cidade

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Varandas de Angra

VARANDAS DE ANGRA



Há matemática debaixo dos seus pés...
e por cima da sua cabeça

ENTREVISTA COM RICARDO CUNHA TEIXEIRA

ENTREVISTA: HELENA FAGUNDES
FOTOGRAFIA: ANTÓNIO ARAÚJO
In di (09-FEV-2014)





Tem-se debruçado sobre a matemática das varandas e calçadas açorianas. Como surgiu esse interesse?



Em 2013, celebrou-se o Ano Internacional da Matemática do Planeta Terra. Muitas foram as iniciativas desenvolvidas um pouco por todo o mundo, em que se pretendeu alertar para o papel central que a Matemática pode desempenhar em questões fundamentais relacionadas com o Planeta Terra e também para a sua presença constante no dia a dia. 

Em Portugal, foi criado um Comité sob a égide da Comissão Nacional da UNESCO. Um dos projetos promovidos por este Comité, no âmbito das celebrações que encerram em junho de 2014, visa precisamente o levantamento matemático da calçada portuguesa. O meu compromisso, no âmbito deste projeto, consistiu no levantamento dos padrões em calçada dos Açores. Por outro lado, já há alguns anos que trabalho o tema das simetrias com os meus alunos da Universidade dos Açores, não só nas calçadas, como talvez nas varandas, no artesanato e na azulejaria.


No caso das calçadas, que trabalho já está feito?






O levantamento dos padrões em calçada dos Açores ficou concluído no final de 2013. Todas as nove ilhas do Arquipélago foram contempladas com pelo menos um roteiro de simetria. Os itinerários de simetria, bem como alguns textos de apoio destinados ao público em geral e diversas notícias que têm sido divulgadas sobre o assunto estão disponíveis 
em http://sites.uac.pt/rteixeira/simetrias


Quais foram as principais conclusões quanto às calçadas de Angra do Heroísmo?



Do ponto de vista matemático, prova-se que existem apenas sete maneiras de repetir um motivo ao longo de uma faixa, recorrendo aos diferentes tipos de simetria do plano, o que conduz a sete tipos de frisos. Daí que um dos objetivos do levantamento realizado nos Açores passou por identificar as cidades açorianas com mais tipos de frisos nas suas calçadas. A cidade da Horta, com seis tipos de frisos, e as cidades de Angra do Heroísmo e de Ponta Delgada, com cinco tipos, lideram a lista. Este resultado é notável, tendo em conta que atualmente Lisboa é a única cidade portuguesa que apresenta os sete tipos de frisos em calçada. Um feito relevante, não só do ponto de vista científico como também turístico, passaria por algumas cidades açorianas alcançarem a totalidade dos tipos de frisos nas suas calçadas. Existem autarquias interessadas em atingir este objetivo. Uma delas é a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo. Já reuni com o professor Álamo Meneses e estamos a equacionar algumas iniciativas que visam valorizar o património em calçada de Angra.



De que forma acha que podemos explorar o potencial das calçadas que pisamos todos os dias, mas que podem ser novas para os turistas?
 

A calçada artística é um marco português no mundo, sendo apreciada por muitos dos turistas que nos visitam. Assim que a cidade de Angra do Heroísmo alcançar os sete tipos de frisos, como se espera, seria interessante disponibilizar roteiros de simetria, em várias línguas, com os itinerários a percorrer e com informação adicional sobre o património desta cidade, por exemplo, através da colocação de códigos QR nas suas calçadas. Mas podemos não ficar por aqui: é possível envolver os artesãos da Ilha Terceira de forma a reproduzir os sete tipos de frisos em diferentes materiais, o que se pode refletir numa articulação interessante com o artesanato local. Em Abril do ano passado, fui coorganizador de um encontro internacional de Matemática Recreativa, promovido pela Associação Ludus, que reuniu em Ponta Delgada cerca de 100 matemáticos de 20 países. O roteiro de frisos em calçada de Ponta Delgada foi divulgado nesse encontro e transformou-se num autêntico sucesso entre os participantes, muitos dos quais fizeram questão de percorrer as ruas de Ponta Delgada e confirmar os padrões em calçada com os seus próprios olhos. A verdade é que hoje em dia temos um turismo cada vez mais exigente que procura ofertas de qualidade. A identificação das simetrias nas calçadas e varandas tem também o dom de ser acessível ao público em geral. O conceito intuitivo de simetria acompanha-nos desde que começamos a ter consciência do mundo em que vivemos. Com uma explicação sucinta dos principais conceitos matemáticos, é possível perceber com facilidade como se classificam as figuras quanto às suas simetrias.

 

No caso das varandas, como tem sido desenvolvido o trabalho?
 


Depois das calçadas, estão a ser exploradas outras vertentes em que o tema das simetrias pode ser aplicado. Uma dessas vertentes passa pelo estudo dos frisos nas varandas açorianas. Outros aspetos que estão a ser equacionados têm a ver com o estudo das simetrias na azulejaria e no artesanato. Neste processo, conto com a parceria de Susana Goulart Costa, docente do Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores e especialista em Património. Pretende-se estabelecer pontes de ligação entre o turismo, a ciência e o património.

Que cidades açorianas estão a ser exploradas?

Por ser património da Humanidade e tendo em conta as bonitas fachadas de muitas das suas habitações, considerei que Angra do Heroísmo devia ter o merecido destaque no estudo das simetrias das varandas açorianas. Por isso mesmo, o Roteiro de Varandas da Cidade de Angra do Heroísmo, que agora se apresenta, é o primeiro itinerário de simetria dedicado às varandas a ser apresentado ao público. Foi desenvolvido com a colaboração de Raquel Mendonça e Vânia Silva, alunas do 3º ano da licenciatura em Educação Básica, do Departamento de Ciências da Educação da Universidade dos Açores, no contexto da disciplina Aplicações da Matemática, de que sou regente há alguns anos. O próximo roteiro de varandas a apresentar é o da Cidade de Ponta Delgada. Este roteiro foi desenvolvido por Vera Moniz, aluna do Mestrado em Matemática para Professores, do Departamento de Matemática da Universidade dos Açores, e deverá ser disponibilizado em breve.


"A calçada artística é um marco português no mundo, sendo apreciada por muitos dos turistas que nos visitam. Assim que a cidade de Angra do Heroísmo alcançar os sete tipos de frisos, como se espera, seria interessante disponibilizar roteiros de simetria, em várias línguas, com os itinerários a percorrer e com informação adicional sobre o património desta cidade"

O que torna as varandas angrenses ricas do ponto de vista matemático?


A variedade de varandas em ferro fundido de Angra do Heroísmo traduz-se também numa diversidade do ponto de vista matemático. À semelhança das calçadas, foram detetados cinco tipos de frisos nas varandas de Angra. Contudo, apenas quatro tipos são comuns às calçadas e varandas. Há um tipo de friso nas calçadas que não se encontra nas varandas e vice-versa. Posso apresentar em traços gerais um exemplo de cada um dos cinco tipos de frisos detetados nas varandas de Angra e que estão contemplados no roteiro. Ao observar a varanda do Exemplo A, que pertence a uma habitação no Alto das Covas, reparamos que há um motivo que se repete ao longo de uma faixa (a figura apresenta, por isso, simetria de translação numa única direção, propriedade que é comum a todos os frisos). Não existem outras simetrias desta figura.

Na Rua da Sé (Exemplo B), encontramos uma varanda que, para além da repetição do motivo ao longo da faixa, apresenta simetrias de reflexão verticais (se escolhermos uma das retas representadas em B e dobrarmos a figura segundo essa reta, há uma sobreposição completa das duas partes do plano definidas pela reta, facto que também pode ser comprovado se colocarmos um espelho com o bordo assente nessa reta). Por seu turno,


o Exemplo C corresponde a uma faixa de uma varanda na Rua da Guarita que apresenta meia-volta, ou seja, simetrias de rotação de 180 graus (isto significa que, se virarmos a figura de pernas ao ar, a sua configuração não se altera). De notar que o exemplo em B não tem meia-volta, pois ao virarmos a figura de pernas ao ar, a sua configuração é diferente da inicial. Por fim, a varanda do Exemplo D, localizada na Rua Carreira dos Cavalos, e a faixa do Exemplo E, que pertence a uma varanda da Rua do Galo, apresentam ambas meia-volta. Para além disso, também têm simetrias de reflexão verticais (com direção perpendicular à do friso), mas apenas a primeira apresenta simetria de reflexão horizontal (com a mesma direção do friso).


Em D, identificou-se o eixo de simetria horizontal. Os eixos de simetria verticais não estão representados em D e E, uma vez que a sua identificação é em tudo semelhante à análise feita em B.

Há uma grande diversidade de frisos dos 5 tipos mencionados, sendo que algumas varandas apresentam mesmo duas ou três faixas com frisos de tipos diferentes! Trata-se de um património que é importante conservar e valorizar. O leitor interessado poderá consultar o Roteiro de Varandas de Angra do Heroísmo e um catálogo alargado com muitos exemplos adicionais em http://sites.uac.pt/mea/iniciativas/am/13-14 Os itinerários de simetria também estão a ser divulgados no site oficial do Ano Internacional da Matemática do Planeta Terra.

Acha que estamos despertos para a matemática que nos rodeia?

Entendo que o cidadão comum está mais desperto para a matemática e para a sua importância do que há alguns anos atrás. Contudo, ainda temos um longo caminho a percorrer de forma a sensibilizar pais e filhos para a importância de desenvolver bases fortes a esta disciplina. Em tempos difíceis como os atuais, é crucial que se quebre o ciclo em que "a falta de jeito" a matemática passa de geração em geração e é entendida como algo natural, ou mesmo inevitável.
 






O mercado de trabalho não está fácil e muitos dos empregos disponíveis centram-se na área das ciências exatas e das engenharias, pelo que o "desconforto com a matemática" pode significar atualmente uma redução muito significativa do leque de opções na escolha do futuro emprego. Mesmo nas humanidades e em áreas como as ciências biológicas e da saúde, a importância de aplicação de ferramentas matemáticas tem crescido de forma considerável.

"Considerei que Angra do Heroísmo devia ter o merecido destaque no estudo das simetrias das varandas açorianas. Por isso mesmo, o Roteiro de Varandas da Cidade de Angra do Heroísmo, que agora se apresenta, é o primeiro itinerário de simetria dedicado às varandas a ser apresentado ao público"










Olhar mais para a matemática que está à nossa volta pode ser útil nas nossas escolas?


 
 
 
 
 
Para além da vertente turística, o tema das simetrias tem forte presença nos programas e orientações curriculares, pelo que a exploração dos padrões em calçada, bem como dos padrões nas varandas, pode constituir uma excelente oportunidade para que os jovens ponham em prática os conceitos que aprenderam na Escola.

Aliás, muitos dos conceitos matemáticos explorados dentro de quatro paredes têm aplicações concretas no dia a dia. E é este aspeto que tem que passar para a opinião pública, de forma a haver uma maior valorização da importância de aprender matemática e de que é preciso esforço para alcançar resultados positivos a esta disciplina. 

Escrevo regularmente artigos de divulgação que visam precisamente alertar o público em geral para a presença constante da matemática no nosso quotidiano. Desde a matemática dos ananases, passando pelos códigos de barras, pelo número de série das notas de euro e pela matemática do cartão do cidadão, pretendo mostrar um outro lado da matemática, desconhecido de muitos. Os artigos estão disponíveis em http://sites.uac.pt/rteixeira/divulgacao



Pretende "fazer mais contas" nas ilhas açorianas?
 

O fascínio da matemática e da ciência, em geral, é que está em constante crescimento. Há sempre novas oportunidades de exploração ao virar da esquina!  


Ricardo Cunha Teixeira, professor da Universidade dos Açores,
 tem-se dedicado a perceber a matemática das calçadas e das varandas
 de Angra do Heroísmo e de outros pontos do arquipélago.
 Aprenda a olhar a cidade com outros olhos.