sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Sociedade de Geografia de Lisboa





A Sociedade de Geografia de Lisboa é uma sociedade científica criada em Lisboa no ano de 1875 com o objectivo de em Portugal promover e auxiliar o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas. A Sociedade foi criada no contexto do movimento europeu de exploração e colonização, dando na sua actividade, desde o início, particular ênfase à exploração do continente africano.

História institucional

A 10 de Novembro de 1875, um grupo de 74 subscritores requereu ao rei D. Luís, a criação de uma sociedade, a designar por Sociedade de Geografia de Lisboa, tendo como objectivo promover e auxiliar o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas, no país.

Entre os subscritores constavam-se António Augusto Teixeira de Vasconcelos, António Enes, Eduardo Coelho, Luciano Cordeiro, Manuel Joaquim Pinheiro Chagas, Sousa Martins, António cândido de Figueiredo, António Lino Netto e Teófilo Braga, entre muitos outros intelectuais, jornalistas e políticos da época.

A Sociedade propunha-se realizar sessões, conferências, prelecções, cursos livres, concursos e congressos científicos e conceder subsídios de investigação destinados a viagens de exploração e investigação científica. As informações obtidas seriam publicadas e disseminadas em arquivos, bibliotecas e museus. Propunha-se ainda estabelecer relações permanentes com outras instituições europeias com as quais pudesse trocar informações e colaborações.

A partir de Dezembro de 1876 a Sociedade iniciou a publicação do Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, que ainda subsiste.

Embora a actuação da Sociedade não tivesse como escopo exclusivo o continente africano, nos primeiros anos da sua existência foi criada a Comissão Nacional Portuguesa de Exploração e Civilização da África, mais conhecida por Comissão de África, com o objectivo de apoiar cientificamente o esforço colonial português em África, particularmente no contexto da crescente competição europeia na apropriação de territórios naquele continente.

A 3 de Abril de 1928 foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, a 8 de Maio de 1935 foi feita Grande-Oficial da Ordem do Império Colonial, a 24 de Novembro de 1950 foi galardoada com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, a 12 de Junho de 1957 foi elevada a Grã-Cruz da Ordem do Império, a 25 de Março de 1964 foi feita Membro-Honorário da Ordem do Infante D. Henrique e a 17 de Junho de 1983 foi feita Membro-Honorário da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.


domingo, 15 de janeiro de 2017

Touradas à Corda na Terceira





Touradas à Corda na Terceira
    (Detalhes de uma Tradição)


1904 - Bilhete Postal circulado de Angra para a Alemanha
Tourada à corda na Ladeira de São Bento.



1904 - Bilhete Postal circulado de Angra para França
Tourada à corda no Largo de São Bento


 
As touradas à corda têm início a partir de Maio e estendem-se até ao mês de Outubro tendo lugar em várias localidades da Ilha.


No que respeita à sua origem, alguns historiadores são da opinião que foram um gosto herdado dos castelhanos, quando por cá andaram no período da dominação filipina.





Na Tourada à Corda, o toiro é amarrado pelo pescoço com uma corda (razão que lhe dá o nome) antigamente feita de sisal e hoje em dia feita de nylon. A corda tem cerca de 85 a 90 metros, espessura de 1 polegada e ¾, formando na extremidade inferior uma pequena argola de 6 a 10 centímetros de diâmetro, chamada bolsa ou nó. Esta argola destina-se a ser enfiada no gancho da gaiola, impedindo que o toiro ao ser recolhido apanhe os pastores desprevenidos.

Na corda usam-se sempre 9 homens, chamados pastores, distribuídos da seguinte forma: atrás estão os cinco pastores da pancada ou da ponta da corda, sendo o do extremo denominado da bolsa ou nó e o da frente da pancada e aos restantes três intermédios.



A 35 ou a 40 metros do toiro, estão colocados os chamados pastores do meio da corda, sendo o da frente o mestre, precedido de 2 intermédios e por último o rodador, que tem por missão puxar a corda para junto dos outros três e sempre que necessário, dar corda para virar e possibilitar ao mestre mudar de lado.  

 

O mestre da corda orienta toda a manobra, transmitindo por sinais, quase imperceptíveis, ao pastor da pancada, as suas ordens, dependendo muitas vezes desse silencioso entendimento o êxito das corridas.



São os pastores do meio da corda que manobram o toiro de forma a evitar que salte a lugares com pessoas, nomeadamente mulheres e crianças, obstando situações catastróficas, ou pelo contrário, procuram alcançar algum toureiro improvisado que em rasgo de intencional ousadia ouse desfeitear o matuto, pondo em perigo os brios da ganaderia.

            

Os pastores trajam camisolas de linho branco, calças de cotim cinzento e calçam sapatos de lona, tendo a cobrir-lhes a cabeça, chapéus tipo andaluz, também designados por chapéus à mazantini.




Antigamente vinham descalços e na cabeça usavam chapéus de feltro e aba larga e copa em forma cónica, originada por quatro amolgadelas.

O número de toiros corridos numa tourada à corda nunca excede os quatro, sendo o tempo de actuação de cada toiro de 20 a 30 minutos, havendo um intervalo no final do segundo, com as entradas e saídas assinaladas pelo estalar de um foguete, à excepção do último que ao ser recolhido é precedido de um girândola a marcar o final da tourada.

Antigamente, os toiros vinham para o local da corrida em manadas junto com as vacas bravas, designando-se vaca do sinal à que caminhava à frente e ao chegarem ao local da corrida davam entrada num recinto tapado com madeira, o chamava “touril”, armado à entrada de um caminho secundário (canada), onde aguardavam o momento de serem corridos.

No “touril” estava instalado o caixão, grande caixa construída em madeira, onde os toiros eram introduzidos para a embolação e amarração, operações que consistem, a primeira, em revestir as pontas dos chifres de uma protecção metálica, a terminar em bolas, ou numa espécie de copos revestidos de cabedal, enquanto a segunda como o seu nome indica, destinava-se a amarrar o toiro.

Actualmente, quando termina a tourada a comissão organizadora da tourada oferece um jantar aos pastores.

Hoje em dia, os toiros são transportados em camionetas, alojados em gaiolas, desapareceram os touris e os caixões, servindo as próprias gaiolas de caixões, sendo os toiros amarrados e embolados por uma abertura rasgada na parte superior da gaiola, onde uma tranca atravessada não os deixa atingir o nível superior da referida abertura.

Uma corda, passada por baixo do pescoço do toiro, é puxada de encontro à tranca imobilizando-lhe a cabeça, de forma a permitir que ele seja trabalhado sem risco algum.

A tourada à corda é um espectáculo alegre, onde centenas de homens descontraídos desfilam mirando balcões, muros e janelas das mais belas raparigas das freguesias.
Explode o foguete e toda agente dispersa-se à frente do toiro, numa correria louca, desenfreada.

Surge, então, um afoito capinha, (nome que lhe é atribuído, pois antigamente o artista tauromáquico tinha esta designação por usar o capote – também conhecido por capa – e desta forma por, por analogia, passou-se a designar de “capinhas” aos indivíduos que nas touradas à corda brincam com os toiros) que vão lidando o toiro, o que não é tão fácil como parece, pois requer, para além de muita agilidade, uma certa habilidade e sobretudo muita prática, havendo muitas vezes, um entendimento táctico entre dois capinhas.

Da habilidade e intencionalidade de alguns capinhas, depende, muitas vezes, o êxito ou o fracasso de uma ganadaria.

A tourada à corda é um espectáculo alegre, onde centenas de homens descontraídos desfilam mirando balcões, muros e janelas das mais belas raparigas das freguesias.
Explode o foguete e toda agente dispersa-se à frente do toiro, numa correria louca, desenfreada.


Surge, então, um afoito capinha, (nome que lhe é atribuído, pois antigamente o artista tauromáquico tinha esta designação por usar o capote – também conhecido por capa – e desta forma por, por analogia, passou-se a designar de “capinhas” aos indivíduos que nas touradas à corda brincam com os toiros) que vão lidando o toiro, o que não é tão fácil como parece, pois requer, para além de muita agilidade, uma certa habilidade e sobretudo muita prática, havendo muitas vezes, um entendimento táctico entre dois capinhas.

Da habilidade e intencionalidade de alguns capinhas, depende, muitas vezes, o êxito ou o fracasso de uma ganadaria.

Como boa festa terceirense não podiam faltar os “comes e bebes”. Para tal, existem as chamadas tascas. A tasca é um estabelecimento improvisado, característico das nossas touradas à corda que, antigamente, eram armadas num cerrado, nos baixos de uma casa ou prédio. Hoje em dia, as tascas são em pequenas carrinhas, para se poderem mover, ou seja, para irem a diversas touradas.


As iguarias que lá se podem encontrar vão desde:

·         Favas Escoadas;
·         Favas de Molho de Unha;
·         Chicharros e Cavala de Molho Cru;
·         Caranguejos Cozidos;
·         Ovos Cozidos;
·         Lapas;
·         Cracas;
·         Linguiça frita.






Para finalizar comemora-se o quinto toiro na casa de algum amigo ou familiar, onde os petiscos, a boa disposição e o clima festivo da tourada continuam a reinar.




Texto de Isabel Fagundes in: Açores - Quiosques de Turismo







quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ferreira Drummond (1796-1858)


FRANCISCO FERREIRA DRUMMOND

Edificada em 1455



Brasão de Armas
da família Drummond
Francisco Ferreira Drummond nasceu na vila de S. Sebastião (Terceira), a 21 de Janeiro de 1796, tendo sido baptizado, na respectiva Matriz, a 27 desse mesmo mês.

Era filho de Tomé Ferreira Drumond, lavrador abastado, e Rita de Cássia, ambos residentes na Vila de S. Sebastião, em cuja Matriz foram também baptizados.

A família Drumond estava, então, intimamente ligada ao magistério primário e à governança da Vila de S. Sebastião, tendo a presidência da Câmara sido ocupada por seu pai (em 1821). O seu irmão, o capitão de ordenanças José Ferreira Drumond, dominou a vida política local durante várias décadas.



Ferreira Drumond desde a infância que revelou decidida vocação para as letras e para a música. Depois da instrução primária, estudou latim, lógica e retórica (disciplinas próprias do ensino da mocidade culta de então e as únicas disponíveis na sua vila natal). Muito estudioso, procurou constantemente aumentar a sua instrução literária e artística, o que lhe foi facilitado pelo meio familiar em que viveu.


Com apenas 15 anos, foi nomeado para o cargo de organista da Matriz da Praia.

Cedo aderiu à causa liberal, tendo sido eleito pelo novo sistema constitucional, em 1822, secretário da Câmara Municipal de S. Sebastião. Tal eleição valeu-lhe grandes dissabores, tendo, para escapar às perseguições dos absolutistas, fugido da Terceira, durante a noite, numa embarcação que o levou à ilha de Santa Maria, de onde passou a Ponta Delgada, dali partindo, com passagem pela Madeira, para Lisboa.

Depois de um ano de exílio voltou à Terceira, tendo participado activamente em todo o desenrolar da guerra civil nesta ilha, que depois tão bem descreveu nos seus Anais da Ilha Terceira.

Desempenhou, ainda em S. Sebastião, os cargos de escrivão dos órfãos, secretário da Administração do Concelho, e tabelião. Em 1836 foi eleito Presidente da referida Câmara, tendo desempenhado essas funções até 1839. Nesse ano foi eleito Procurador à Junta Geral.

Exerceu também, durante vários anos, o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia.

Distinguiu-se na luta contra a extinção do concelho de S. Sebastião, extinção que, em boa parte graças à sua actividade, apenas se consumou em 1 de Abril de 1870, apesar de decretada em 24 de Outubro de 1855.

Algumas das mais importantes obras da antiga Câmara de S. Sebastião foram iniciativa sua, nomeadamente a captação das nascentes do Cabrito e o seu aproveitamento para moagem, naquela época a maior obra hidráulica da Terceira e uma das maiores dos Açores.

Monumento no Rossio
Vila de São Sebastião




Faleceu em 11 de Setembro 1858, contando 63 anos incompletos de idade, na casa que tinha aforado da Santa Casa da Misericórdia, na Travessa da Misericórdia, onde hoje está a lápide comemorativa. 

Francisco Ferreira Drumond foi homenageado em 1951 com um pequeno monumento localizado no Rossio, Vila de S. Sebastião.

O seu trabalho histórico ocupa um lugar cimeiro na historiografia açoriana, sendo a base de boa parte das obras sobre a história dos Açores, em particular sobre a história da ilha Terceira.







Obras publicadas



Memória Histórica da Capitania da Praia da VitóriaEditado pela Câmara Municipal da Praia da Vitória em 1846, Praia da Vitória. A obra foi reeditada inserta na colectânea Memória Histórica do Horrível Terramoto de 15.VI.1841 que Assolou a Vila da Praia da Vitória, edição e da Câmara Municipal da Praia da Vitória, 1983.

Anais da Ilha Terceiraobra escrita segundo o critério cronológico típico dos Anais, cobrindo o período desde a descoberta e povoamento da ilha até 1850. Foi oferecida à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, que a editou em 4 volumes, contendo 510 de documentos. O volume I foi publicado em 1850; o vol. II em 1856; o III em 1859; e o IV, póstumo, em 1864. Reeditado, em fac-símile da edição original, pela Secretaria Regional da Educação e Cultura, Angra do Heroísmo, 1981.

Apontamentos Topográficos, Políticos, Civis e Eclesiásticos, para a História das Nove Ilhas dos Açores - obra inacabada deixada em manuscrito. Após um conturbado percurso, a obra foi editada em 1990 pelo Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo.