terça-feira, 18 de julho de 2017

Padre António Vieira


Séc. XVII - Retrato de Arnold Van Westerhout
Padre António Vieira
Nasceu a 6 de Fevereiro de 1608 em Lisboa
Faleceu a 18 de Julho de 1697 em Salvador (Brasil)


História de um Naufrágio nos Açores


Em 1654, o célebre orador jesuíta, Pe António Vieira, sofre um naufrágio junto da ilha do Corvo, sendo salvo in extremis por corsários holandeses. É graças a este naufrágio que a devoção do terço se inicia nas ilhas dos Açores.

Logo após a sua subida ao trono, aquando da restauração de 1640, D. João IV encontra um Império Português em franca decadência. Com efeito, um mês e meio depois da conjura de 1 de Dezembro, Malaca cai em poder dos Holandeses. Mesmo após a celebração do Tratado de Aliança de 12 de Junho de 1641, os Estados Gerais das Províncias Unidas teimam em consolidar as suas posições em território português, conquistando Luanda a 24 de Agosto do mesmo ano e o forte de Achém, em Março de 1642.


Na mesma altura, o Pe António Vieira era enviado em missões diplomáticas a Haia e a Paris de modo a tentar obter o apoio de Mazarino para o resgate das terras brasileiras ocupadas pelos Holandeses. É também nesta altura que este clérigo propõe várias medidas revolucionárias que visavam combater o miserável estado do Reino, tais como o retorno dos judeus mercadores que se encontravam exilados pela Europa e a não confiscação, pela Inquisição, dos bens dos sentenciados.

FDC comemorativo do 300º aniversário da sua morte
Ao mesmo tempo que tentavam conquistar o Brasil pela força das armas, os Holandeses implementaram um formidável esquema de corso naval tendo aprisionado, só no ano de 1648, 249 navios dos 300 que normalmente percorriam anualmente o Atlântico. Como resposta a esta acção é criada, a 10 de Março de 1650, a Companhia Geral de Comércio para o Brasil que tinha como incumbência a protecção armada dos navios mercantes detentores do monopólio do trato do bacalhau, da farinha, do azeite, do vinho e do pau-brasil.

Será só em Janeiro de 1654 que se obtém a capitulação dos Holandeses residentes no Brasil, o que marcará a reconstituição do Brasil português tal como ele existia antes da junção das duas coroas ibéricas.

É também no ano de 1654, logo após a célebre Pregação aos Peixes - por falta de ouvidos da parte dos habitantes do Maranhão - que o Pe António Vieira parte para Lisboa, juntamente com dois companheiros, a bordo de um navio da Companhia Geral carregado de açúcar. Partia para, mais uma vez, defender junto do monarca os direitos dos índios escravizados contra a cobiça dos colonos.

Como era habitual nos navios ibéricos, a vida quotidiana a bordo era regida pelas práticas religiosas, conduzidas neste caso pelo Pe António Vieira, grande partidário da reza pública do terço do Rosário. Esta monotonia foi intempestivamente quebrada por uma tormenta desfeita que se abateu sobre o navio cerca de 2 meses após a sua partida do Brasil, já à vista da ilha do Corvo.

Subitamente, as vagas tornaram-se excepcionalmente altas; o mar ficou completamente coberto de espuma e a visibilidade ficou reduzida ao mínimo. Como única salvação, o piloto mandou arriar todas as velas, à excepção da do traquete e deixou o navio correr com o tempo, à capa. De repente, uma rajada mais forte arrancou a vela e fez adornar a embarcação, ficando o seu bordo direito sob as ondas. Imediatamente, os passageiros em pânico correram para o costado oposto em tropel confuso.


O Pe António Vieira, depois de a todos dar a absolvição geral, levantou a voz aos elementos e, bradou aos “Anjos da guarda das almas do Maranhão, lembrai-vos que vai este navio buscar o remédio e salvação delas. Fazei agora o que podeis e deveis, não a nós, que o não merecemos, mas àquelas tão desamparadas almas, que tendes a vosso cargo; olhai que aqui se perdem connosco.”

Após tal exclamação, fez com que todos fizessem voto à Rainha dos Anjos de lhe rezarem um terço todos os dias se, porventura, conseguissem escapar das garras da morte. Um quarto de hora esteve o navio adornado sob as ondas, até que os mastros se partiram. Com a sua quebra e com o peso da carga de açúcar que se encontrava estivada até ás escotilhas, o navio girou sobre si próprio e retomou a sua posição natural. Todos se apressaram a recolher ao convés e, de joelhos, prestaram graças à Soberana Mãe de Deus.


No entanto, sem mastros, sem velas, sem enxárcia e ao sabor dos elementos em fúria, a sua perdição tinha sido apenas adiada. Eis senão quando, ao longe, aparece outra nau que também corria com o tempo. Um nova esperança se levantava nos náufragos, esperança esta que depressa morreu com o afastamento do navio desconhecido. Este, cego ao navio destroçado e raso com o mar, acabou por mais tarde milagrosamente seguir uma derrota que o fez atravessar directamente a embarcação portuguesa a meio da noite.

Esta embarcação era um dos tais famosos corsários holandeses que cruzavam o Atlântico embusca de presas. Recolheram os náufragos a bordo, pilharam o que puderam do navio à deriva - que acabaria por ir a pique - e fizeram desembarcar os portugueses na ilha Graciosa após os terem despojado de todos os seus pertences pessoais.

Ermida da Boa Nova 
Para acudir à miséria dos seus quarenta e um companheiros de infortúnio, o Pe António Vieira valeu-se da sua Companhia de Jesus e do seu nome. Tudo fez para lhes providenciar roupa, calçado e dinheiro durante os dois meses em que permaneceu na ilha Graciosa. Foi também a partir da Graciosa que o Pe António Vieira creditou Jerónimo Nunes da Costa para que este fosse a Amsterdão resgatar os papéis e livros que lhe haviam sido tomados pelo corsário, tarefa esta que, ao que tudo indica, se cumpriu visto dispormos hoje de cerca de 200 sermões - um dos quais, o vigésimo sexto, relata este naufrágio - e 500 cartas deste autor, muitas delas anteriores ao naufrágio.


Quando conseguiu passar à ilha Terceira, a sua acção determinou também o aprestamento de uma embarcação para que todos os seus outros colegas de infortúnio pudessem tomar o porto de Lisboa.

O Pe António Vieira permaneceu na Terceira durante mais algum tempo, iniciando também aqui a devoção do terço, que pela primeira vez foi cantado na igreja da Boa Nova.

Da Terceira passou a São Miguel e daqui embarcou a bordo de um navio inglês para Lisboa, a 24 de Outubro de 1654. Quis a Providência que, mais uma vez, a sua viagem fosse marcada por um temporal que afligiu sobremaneira os passageiros portugueses - que se entregaram como de costume às habituais ladainhas em que como Católicos, como quem cria na outra vida, repetidamente se confessavam para morrer - mas que em nada preocupou os marinheiros ingleses que, talvez por serem hereges ou talvez por serem mais confiantes na sua embarcação do que os seus passageiros, se limitaram a comer como se nada fosse, embalados que estavam pelo canto dos canários-da-terra que levavam a bordo.

1685 - A Inquisição em Portugal


E foi assim que, em Novembro de 1654, aportou ao Tejo o homem que acabaria por falecer na Baía, cego e surdo, a 18 de Julho de 1697. Durante a sua vida passara mais de 10 anos a lutar pela independência de Portugal, outros tantos a lutar pelos direitos dos índios da Amazónia e outros sem fim a combater os inquisidores de Coimbra. Estes, que o fizeram encarcerar de Fevereiro de 1663 a Outubro de 1665 e que o forçaram a ouvir durante duas horas, de joelhos, a enumeração das suas culpas e que o proibiram de sair do reino e de usar de voz activa e passiva, viram a sua Inquisição suspensa durante 27 meses graças à acção do Pe António Vieira. Este feito único só não se prolongou por mais tempo e conduziu à extinção da Inquisição em Portugal porque os bispos portugueses ameaçaram a Santa Sé com um cisma da igreja nacional.




Foi também assim que este grande orador - a quem Fernando Pessoa apelidou de Imperador da Língua Portuguesa - e verdadeiro Homem de Deus escapou (por milagre divino?) da morte ao largo dos Açores.

 Autor do texto: Paulo Monteiro

sábado, 15 de julho de 2017

A Ilha de São Miguel


A Ilha de São Miguel

Descoberta e povoamento



Acredita-se que a ilha tenha sido descoberta entre 1426 e 1439 já se encontrando assinalada em portulanos de meados do século XIV como "Ilha Verde". O seu descobrimento encontra-se assim descrito:

"O Infante D. Henrique, desejando conhecer se haveria ilhas ou terra firme nas regiões afastadas do Oceano Ocidental, enviou navegadores. (...) Foram e viram terra a umas trezentas léguas a ocidente do Cabo Finisterra e viram que eram ilhas. Entraram na primeira, acharam-na desabitada e, percorrendo-a, viram muitos açores e muitas aves; e foram à segunda, que agora é chamada de S. Miguel, onde encontraram também aves e açores e, além disso, muitas águas quentes naturais."

Constituiu uma capitania única com a Ilha de Santa Maria, tendo como primeiro Capitão do Donatário Gonçalo Velho Cabral. O seu povoamento iniciou-se em 1444, a 29 de Setembro, dia da dedicação do Arcanjo São Miguel, então patrono de Portugal e santo da especial devoção do Infante D. Pedro, então Regente do Reino, e que dá o nome à ilha.


Os primeiros povoadores desembarcaram entre "duas frescas ribeiras de claras, doces e frias águas, entre rochas e terras altas, todas cobertas de alto e espesso arvoredo de cedros, louros, ginjas e faias". Trouxeram consigo gado, aves e sementes de trigo e legumes e outras coisas necessárias. Fundaram então, a primeira "povoação de gente" na ilha que, mais tarde, ficaria conhecida apenas por Povoação Velha de S. Miguel, onde se ergueu a primitiva Igreja de Santa Bárbara, no local onde foi dita a primeira missa seca. Posteriormente, percorrendo a costa para oeste, encontraram uma planície à beira e ao nível do mar, que lhes agradou e onde decidiram fixar-se. A povoação ficou conhecida como "do Campo", e em pouco tempo receberia o estatuto de "vila franca" (isenta de tributos exceto o devido à Coroa de Portugal), o que contribuiu para atrair mais povoadores.


Entre os nomes destes primeiros povoadores registam-se os de Jorge Velho, Gonçalo Vaz Botelho, o Grande e Afonso Anes, o Cogumbreiro, Gonçalo de Teves Paím e seu irmão Pedro Cordeiro


Visando atrair mais povoadores para esta ilha, de maiores dimensões e características geológicas mais dinâmicas do que Santa Maria, foi necessário oferecer maior incentivo ao povoamento, o que veio a ser expresso por carta régia de 20 de Abril de 1447, pela qual se isentam os moradores desta  ilha da sdizima de todos os géneros nela produzidos:

"Dom Afonso, etc. A quantos esta carta virem (...). Temos por bem e quitamos deste dia para todo sempre a todos os moradores que ora vivem e moram, ou morarem daqui em diante em a dita ilha de todo o pão e vinho e pescados e medeiras e legumes e todas as outras coisas que nela houverem e trouxerem a estes nossos reinos por qualquer forma. (...)"
Aos primeiros povoadores juntar-se-ão outros, oriundos principalmente da Estremadura, do Alto Alentejo, do Algarve e da Madeira. Posteriormente, alguns estrangeiros também se instalam, nomeadamente Franceses, e minorias culturais como judeus e mouros.

A posição geográfica e a fertilidade dos solos permitiram um rápido desenvolvimento económico, baseado no setor primário, voltado para o abastecimento das guarnições militares portuguesas no Norte de África e na produção de açúcar e de urzela, um corante exportado para a Flandres. O sobrinho de Gonçalo Velho Cabral, João Soares de Albergaria, sucedeu-lhe no cargo. À época de Albergaria, anteriormente a 1472, receberam foral de vilas as localidades de Vila do Porto e de Vila Franca do Campo, as mais antigas dos Açores.

Por motivo de doença de sua esposa, D. Brites Godins, deslocou-se com ela para a Ilha da Madeira, em busca de clima mais favorável, sendo acolhidos pela família do capitão do Funchal, João Gonçalves da Câmara de Lobos. Aí foi decidida a venda da capitania de São Miguel, por 2.000 cruzados em espécie e 4.000 arrobas de açúcar. Este contrato teve a anuência da Infanta D. Beatriz, tutora do donatário, D. Diogo, Duque de Viseu, conforme carta de 10 de Março de 1474, sendo ratificada pelo soberano nestes termos:
"Fazemos saber que Rui Gonçalves da Câmara, cavaleiro da Casa do Duque de Viseu, meu muito amado primo, e prezado sobrinho nos disse como lhe per a Infanta Dona Beatriz, sua madre e tutor, em nome seu, era feita a doação da capitania da ilha de San Miguel para sempre aprovamos e confirmamos a dita doação.".
Ficaram assim definitivamente separadas as capitanias de São Miguel e Santa Maria.

Vila Franca do Campo, mais importante porto comercial da ilha, considerada sua primeira capital, e onde esteve localizada a alfândega até 1528, foi arrasada pelo grande terramoto de 22 de Outubro de 1522, em que se estima terem perecido 4000 pessoas. Após a tragédia, os sobreviventes transferiram-se para a povoação de Ponta Delgada, logrando obter do soberano os mesmos privilégios de que gozava cidade do Porto, conforme já o gozavam os de Vila Franca do Campo, iniciando-se o seu desenvolvimento, de tal modo próspero, que Ponta Delgada foi elevada a cidade por Carta-Régia passada em 1546, tornando-se capital da ilha.

No contexto da crise de sucessão de 1580, aqui tiveram lugar lutas entre os partidários de D. António I de Portugal e de Filipe II de Espanha, culminando na batalha naval de Vila Franca, ao longo do litoral sul da ilha (26 de Julho de 1582), com a vitória dos segundos. Após a batalha, D. Álvaro de Bazán, marquês de Santa Cruz de Mudela, desembarcou em Vila Franca do Campo, onde estabeleceu o seu quartel general e de onde fez supliciar por enforcamento cerca de 800 prisioneiros franceses e portugueses, no maior e mais brutal massacre jamais ocorrido nos Açores.

Pelo apoio dispensado à causa de Filipe II, a família Gonçalves da Câmara, na pessoa de Rui Gonçalves da Câmara, capitão do donatário, recebeu o título de Conde de Vila Franca por alvará de 17 de Junho de 1583.



O século XVII





Entre os ataques de corsários à ilha no período, destacam-se o da armada inglesa sob o comando de Robert Devereux, 2º conde de Essex, no Outono de 1597, que ascendia a cem velas, na sequência dos ataques às ilhas do Faial e do Pico. Mais tarde, um outro ataque deixou como testemunha a marca do impacto de um projétil de artilharia no alçado da torre sineira voltado para o mar da Igreja de São Miguel Arcanjo em Vila Franca do Campo, tendo abaixo dele sido inscrita a data: 1624.

Com a Restauração da Independência Portuguesa (1640), a ilha recuperou a sua posição como centro comercial, estreitando contatos com o Brasil, para onde enviou muitos colonos.

  

O século XVIII


  




Datam deste período muitos dos edifícios históricos da ilha, nomeadamente solares e igrejas, exibindo elaboradas cantarias, delicados azulejos e ricas talhas que podem ser apreciados até aos nossos dias. Essa expansão arquitetónica é justificada pelos lucros obtidos com a produção de laranjas para exportação, cujo principal mercado era a Grã-Bretanha.

 

 

 

 

 O século XIX


No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), após o desembarque das forças Liberais no Pesqueiro da Achadinha (concelho de Nordeste), sob o comando do 7º Conde de Vila Flor (1831), as forças miguelistas foram derrotadas no combate da Ladeira da Velha (2 de Agosto de 1831).

Em 1832, partiu de Belle-Isle, na Inglaterra, a expedição militar sob o comando de D. Pedro, rumo aos Açores (10 de Fevereiro), e que chegou a São Miguel a 22 de Fevereiro. Após organizar o governo regencial na ilha Terceira, em Angra, D. Pedro retornou a São Miguel, para embarcar as suas forças (20 a 22 de Junho) que partem (27 de Junho) rumo ao Desembarque do Mindelo (8 de Julho).


Após o fim do conflito registou-se a chamada Revolta dos Calcetas (1835). No mesmo ano, foi fundado o primeiro periódico em São Miguel. Com a paz foi retomada a anterior expansão económica da ilha.

No contexto da Revolução da Maria da Fonte em 1846 foi formada uma Junta Governativa no Distrito de Ponta Delgada.

A prosperidade trazida pela produção e exportação da laranja veio a ser abalada quando, em 1860, uma doença exterminou os laranjais. Essa crise foi superada com a introdução de novas culturas como o tabaco, o chá, a espadana, a chicória, a beterraba e o ananás, a que se juntaram, com o passar dos anos, indústrias ligadas à pesca e à pecuária. Na década de 1860 foi construído o porto de Ponta Delgada.


A 8 de Junho de 1893 foi apresentado ao Parlamento Português uma proposta para ligação telegráfica com os Açores. Autorizada, o Estado Português contratou a companhia inglesa Telegraph Construction and Maintenance Company Limitedpara o lançamento e exploração do cabo submarino. A 19 de Agosto desse mesmo ano, pelas 11:40h tocava em Ponta Delgada a ponta do cabo que ligava à estação de Cascais, sendo os serviços oficialmente inaugurados em 27 de Agosto de 1893.

O século XX

No contexto da Primeira Guerra Mundial a cidade de Ponta Delgada e seus arredores foram bombardeadas por 50 obuses de 125mm do "Deutschland", um submarino do Império Alemão, classe U-115 (4 de Julho de 1917). Além dos danos materiais, o ataque causou a morte de uma jovem de 16 anos (Tomásia Pacheco) e alguns feridos na Canada do Pilar, na Fajã de Cima. A unidade naval alemã foi repelida pelo fogo de artilharia (15 tiros) do navio carvoeiro estadunidense "Orion" estacionado na doca, apoiado pela artilharia portuguesa em terra, na Madre de Deus (4 tiros).

A partir desse ataque, foi instalada uma base naval estadunidense em Ponta Delgada, que se manteve em operação até Setembro de 1919. Nesse período, cerca de 2.000 navios demandaram o porto. O abastecimento a essas embarcações e a milhares de militares em trânsito, preservou a economia da ilha das dificuldades da guerra e permitiu a formação de algumas pequenas fortunas. A circulação de dólares e de libras em abundância permitiu que, entre 1914 e 1924 o número de casas bancárias passasse de 6 para 20, em paralelo à abertura de diversos cafés, restaurantes e outros espaços de diversão. Do mesmo modo, registaram-se investimentos de capitais em fábricas de maiores dimensões e na criação de companhias de transporte marítimo.

 
A ilha, de natureza vulcânica, sujeita a atividade sismíca, apresenta relevo montanhoso, sobretudo no seu interior, dominado pelo Pico da Vara, sendo recortada por vales, grotas e ribeiras - únicos cursos de água. A origem vulcânica é presente na tipologia das rochas e terrenos de "biscoito" (produzidos por camadas onduladas de lava) e "mistérios" (por lavas esponjosas, onde proliferam os musgos e as ervas) - típicos no arquipélago -, e fumarolas-sulfataras permanentes, como as do Vale das Furnas e na Ribeira Grande. O fundo de crateras de antigos vulcões extintos servem de leito a belas lagoas como a Lagoa das Sete Cidades, a Lagoa do Fogo e a Lagoa das Furnas. Essa combinação de fatores propicia a que no Vale das Furnas sejam reputadas as suas águas minero-medicinais.


As formações de relevo, na ilha são complementadas ainda pela presença das chamadas "lombas" - formas de relevo ligeiramente aplainadas - e de picos - formas de relevo relativamente aguçadas.

Como as demais ilhas do arquipélago, o clima de S. Miguel é temperado oceânico. O Atlântico e a Corrente do Golfo funcionam como moderadores da temperatura - a maritimidade - conferindo a ilha e ao arquipélago em geral uma pequena amplitude térmica. A pluviosidade distribui-se regularmente ao longo do ano, embora seja mais abundante na estação fresca.

No Inverno, também como as demais ilhas do arquipélago, é assolada por fortes ventos que sopram predominantemente do sudoeste, enquanto que no Verão se deslocam para o quadrante Norte. O céu apresenta-se geralmente com nebulosidade, o que causa insolação variável.

Graças ao seu clima temperado e húmido, a ilha recebeu bem as mais variadas espécies introduzidas pelos povoadores ao longo dos séculos. A obra "Flores", de Erik Sjogren regista cerca de 80 plantas vasculares, das quais apenas 56 endémicas, algumas referidas por Gaspar Frutuoso, que relatou:
"Estava esta ilha, logo que se achou, muito cheia de alto, fresco e grosso arvoredo, de cedros, louro, ginjas, sanguinho, faias, pau branco e outra sorte de árvores; (…)" (in: Saudades da Terra, Livro IV, vol. II. Ponta Delgada, 1931. cap. LV, p. 25.)
A densa cobertura vegetal que caracterizava a ilha à época do seu descobrimento, deu lugar, com o povoamento, à abertura de campos de cultivo, consumida históricamente como fonte energética e de material de construção das populações. Paralelamente foram sendo introduzidas novas espécies conforme os interesses económicos da Coroa portuguesa, como o trigo, o linho e o pastel, entre tantas outras.

A Lagoa das Sete Cidades, com as suas duas lagoas - azul e verde - limitadas por uma caldeira, o ilhéu de Vila Franca, reserva natural, assim como o vale das Furnas, com as suas fumarolas, de águas e lamas quentes e medicinais, são apenas alguns exemplos dos inúmeros pontos atractivos que São Miguel apresenta.

Outro dos pontos de interesse da ilha é a Lagoa do Fogo, que se situa na Serra de Água de Pau, bem como a Lagoa do Congro, localizada a poucos quilómetros da Vila Franca do Campo.

Na zona Este da ilha, fica o Pico da Vara - a maior elevação da ilha - com 1103 metros de altitude. Na zona central, a serra de Água de Pau com 940 metros de altura e na zona Oeste situa-se a Caldeira das Sete Cidades com 850 metros de altitude.

A cidade de Ponta Delgada mantém ainda as suas igrejas e palácios dos séculos XVI ao XIX. Aqui tem lugar a maior festa religiosa do arquipélago, aonde acorrem milhares de pessoas anualmente: as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, no quinto Domingo depois da Páscoa.

Outra manifestação religiosa desta ilha são os Romeiros. Por altura da Semana Santa, grupos de algumas dezenas de homens percorrem a ilha a pé, durante oito dias, rezando e cantando em todas as Igrejas e Ermidas que se deparam pelo caminho.

O Centro de Monitorização e Investigação das Furnas (CMIF) integra uma intervenção mais alargada que articula, num único projeto e de forma transversal, os programas e ações do Plano de Ordenamento da Bacia Hidrográfica da Lagoa das Furnas (POBHLF), nomeadamente a requalificação das margens.

Inaugurado a 1 de Julho de 2011, o CMIF assume, desde logo, um papel importante na tradução da linguagem científica para formas de disseminação de conhecimento, capazes de cativar os visitantes para uma melhor compreensão da Natureza, assim como para atividades lúdicas e de recuperação ecológica numa paisagem em constante transformação.

Situado na margem sul da Lagoa das Furnas, este projeto, da autoria do arqt.º Manuel Aires Mateus veio, numa outra perspetival, dar visibilidade à Lagoa das Furnas, desta feita numa vertente arquitetónica, além da ambiental/natural que lhe é normalmente atribuída. Nas palavras do próprio “foi concebido como uma escultura de pedra colocado na paisagem, tendo por base o enquadramento da matéria-prima no verde circundante e a capacidade de relacionar o basalto vulcânico da região com o ambiente natural que é a Lagoa das Furnas.” Esta relação entre materialidade e natureza foi recentemente distinguida com a atribuição do "Premio Internazionale Architetture di Pietra 2011 – XII edizione", na cidade italiana de Verona, que premiou a qualidade espacial e arquitetónica do projeto e a sua execução em pedra local, neste caso concreto o basalto.

O CMIF dispõe de uma área de acolhimento ao visitante onde é disponibilizada informação sobre a missão e objetivos do projeto, capaz de despertar a curiosidade e interesse em conhecer, de uma forma mais aprofundada, a recuperação do ecossistema do vale das Furnas. Este espaço contempla um pequeno bar e loja na qual, através dos produtos de merchandising, promovemos a flora e fauna nativas.

A área destinada a exposição permite-nos “viajar” ao património natural que é o vale das Furnas e à sua lagoa, através de mecanismos interativos, ferramentas acessíveis aos utilizadores, plataformas multimédia e visitas guiadas. O visitante é conduzido à descoberta do ecossistema da lagoa através da caracterização da sua geologia e vulcanismo, ecossistemas lacustres e limnologia, hidrópole, fauna e flora nativas.

No auditório é possível visionar um pequeno documentário sobre o património natural das Furnas, a sua história e vivências, bem como o projeto que está em curso para a sua recuperação. Este espaço está também vocacionado para workshops, seminários, ações de formação, de educação e sensibilização ambiental.


Paralelamente, o CMIF dispõe de uma área de investigação, monitorização e desenvolvimento de projetos, da qual fazem parte, uma sala de trabalho,


pequenos gabinetes de apoio e laboratórios de monitorização preparados para acolher os seus convidados. Estas áreas são dedicadas à implementação e gestão do Plano de Ordenamento da Bacia Hidrográfica da lagoa das Furnas que pretende, de um modo regrado e coerente, compatibilizar os usos e atividades com a proteção e valorização ambiental da bacia hidrográfica, sendo que o principal objetivo é a melhoria da qualidade da água da lagoa.

Complementarmente a este pólo principal de atividades, a zona envolvente engloba um conjunto de áreas exteriores, nomeadamente, zona de merendas e estadia, instalações sanitárias, parque de estacionamento e um amplo espaço verde com vista privilegiada sobre a Lagoa, onde os visitantes podem contemplar a paisagem e desenvolver atividades de lazer.



1845 - Mapa da Ilha de São Miguel


A Ilha do Corvo


Descoberta e povoamento

Vista da Vila do Corvo
Nos mapas genoveses do século XIV, nomeadamente no Portulano Mediceo Laurenziano (1351), é mencionado a "Insula Corvi Marini" (Ilha do Corvo Marinho) entre as sete ilhas que compunham o arquipélago, mas é improvável que esta designação se refira especificamente a esta ilha, apesar de ter sido a origem do nome. É provável ser uma designação para ambas as ilhas do Grupo Ocidental do Arquipélago dos Açores, como parece ser o caso no chamado Atlas Catalão (1375).

Na fase de exploração portuguesa do Atlântico sabe-se que foi Diogo Teive quem achou as ilhas do Grupo Ocidental dos Açores, no regresso de sua segunda viagem de exploração à Terra Nova, em 1452. Terá sido descoberta em simultâneo com a Ilha das Flores, já que as ilhas se avistam mutuamente. A sua designação henriquina é Ilha de Santa Iria, mas foi também chamada de Ilhéu das Flores, ilha da Estátua, ilha do Farol, ilha de São Tomás e ainda de Ilha do Marco, tendo este nome persistido durante alguns séculos em razão, de para alguns servir o monte do Caldeirão servir como uma referência geográfica para os marinheiros ou, e mais provavelmente, pelo facto de existir um pequeno promontório a que foi dado o nome de Ponta do Marco, local onde possivelmente terá sido afixado algum padrão como era hábito fazer-se nas novas terras descobertas.
A caminho do Caldeirão

Apesar da incerteza quanto à data do achamento português da ilha, é seguramente anterior a 20 de Janeiro de 1453, data em que Afonso V de Portugal fez doação da ilha, e da vizinha ilha das Flores, a seu tio, Afonso I, Duque de Bragança.

A primeira tentativa de povoamento do Corvo foi empreendida por um grupo de 30 pessoas, lideradas por Antão Vaz de Azevedo, natural da ilha Terceira, no início do século XVI, que entretanto culminou com o seu abandono.


Caldeirão
O mesmo sucedeu com um grupo de povoadores, também oriundos da Terceira, liderados pelos irmãos Barcelos. Mais tarde, em meados do século, a 12 de Novembro de 1548, Conçalo de Sousa, capitão donatário das ilhas das Flores e do Corvo, foi autorizado a mandar para ilha escravos - provavelmente mulatos, oriundos da ilha de Santo Antão, arquipélago de Cabo Verde - de sua confiança como agricultores e criadores de gado.
Em 1570 foi construída a primitiva igreja. Por volta de 1580, colonos das Flores fixam-se no Corvo, que, a partir de então passou a ser permanentemente habitada, dedicando-se a população à agricultura, à pastorícia e à pesca.


Piratas e corsários

Apesar de seu isolamento, a ilha sofreu diversas incursões de corsários e piratas. Os corvinos, entretanto, souberam impor-se, muitas vezes aliando-se aos incursores e participando activamente na sua actividade. Em troca de protecção e dinheiro, a ilha fornecia água, alimentos e homens, ao mesmo tempo que permitia tratar os enfermos e reparar os navios.

Em 1587, o Corvo foi saqueado e as suas casas queimadas pelos corsários ingleses, que haviam atacado as Lajes das Flores. No ano de 1632, a ilha sofreu duas tentativas de desembarque de piratas da Barbária, no local do actual cais Porto da Casa, que na altura ainda era apenas uma baía. Duzentos corvinos usaram tudo ao seu dispor para repelir os atacantes que acabaram por desistir com baixas. A imagem de Nossa Senhora do Rosário foi colocada na Canada da Rocha e daí, diz a lenda que ela protegeu a população das balas disparadas.

Foi o segundo pároco da ilha, o florentino Inácio Coelho, irmão do cronista frei Diogo das Chagas. Foi ele quem conseguiu que D. Martinho de Mascarenhas, 2.º capitão do donatário, assumisse o sustento do pároco, bem como a ele se deve a presumível redacção e divulgação dos factos e atribuição à Virgem Maria do milagre da vitória dos corvinos sobre os piratas. A partir de então, a imagem passou a ser chamada de Nossa Senhora dos Milagres.

Interior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário
Em 1647 o lugar do Corvo foi elevado a paróquia, sendo o seu primitivo orago Nossa Senhora do Rosário.

Antes dessa data, a ilha era visitada anualmente por um padre de Santa Cruz das Flores por ocasião da Quaresma. O primeiro pároco foi o faialense Bartolomeu Tristão.




O século XVIII



No século XVIII, com a chegada dos barcos baleeiros norte-americanos à Ilha das Flores para recrutar tripulação e arpoadores, uma vez que os corvinos eram apreciados pela sua coragem, iniciou-se uma estreita relação com a América do Norte, que passou desde então a ser o destino de eleição para a emigração corvina e de onde chegaram praticamente todas as novidades à ilha, a qual manteve durante muito tempo uma relação mais estreita com Boston do que com Lisboa.

A emigração clandestina era uma constante da vida da ilha, apesar dos esforços repressivos das autoridades portuguesas, preocupadas com a fuga ao serviço militar obrigatório e com a perda de mão-de-obra.

Os corvinos tinham de pagar tributo aos seus capitães do donatário e, a partir de 1759, com morte a 8.º duque de Aveiro e conde de Santa Cruz, à Coroa. 

Foi Mouzinho da Silveira, impressionado pela quase escravidão em que vivia o povo do Corvo, obrigado a comer pão de junca para poder pagar o tributo a que se encontrava obrigado, quem propôs a redução, para a metade, do pagamento em trigo e anulou o pagamento em dinheiro, fazendo assim a felicidade dos corvinos. Manuel Tomás de Avelar foi o chefe delegação de corvinos que foi a Angra do Heroísmo fazer a petição, despertando, pela sua sabedoria e maneiras, o espanto da liderança liberal da Regência de Angra.


1832 - Mouzinho da Silveira

A impressão foi tal que Mouzinho da Silveira, hoje homenageado como patrono da Escola Básica Integrada do Corvo, anos depois escreveria no seu testamento que gostaria de estar sepultado na ilha, "cercado de gente que na minha vida se atreveu a ser agradecida".

O decreto, datado de 14 de Maio de 1832, e assinado em Ponta Delgada por D. Pedro IV, reduziu à metade (20 moios) o pagamento em trigo que os corvinos faziam a Pedro José Caupers, então donatário da Coroa, e eliminou o pagamento em dinheiro de 80 000 réis. Em contrapartida, a Coroa assumiu indemnizar o donatário. O tributo apenas foi completamente abolido em 1835.

O século XIX


No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), quando da ofensiva liberal do 7º conde de Vila Flor (1831), a ilha reconheceu espontaneamente o governo liberal. Pouco depois, Pedro IV de Portugal elevou a povoação do Corvo à categoria de vila e sede de concelho (20 de Junho de 1832). O decreto determinou que a nova vila se chamasse Vila do Corvo, e não Vila Nova como por vezes aparece grafado. Antes disso, esteve sob jurisdição de Santa Cruz das Flores, sendo uma das freguesias daquele concelho. Atualmente o dia 20 de Junho é feriado municipal.

Em 1886, o Governador Civil do Distrito da Horta, Manuel Francisco de Medeiros, quando visitou a Vila do Corvo indagou quais eram as suas aspirações. Foi-lhe pedido apenas uma Bandeira Nacional para saudar os barcos que por aqui passavam.

Durante as suas expedições oceanográficas ao Atlântico, o príncipe Alberto I do Mónaco visitou demoradamente a ilha no seu iate Hirondelle, recolhendo imagens fotográficas de extraordinário interesse, hoje no Museu Aceanográfico do Mónaco e apenas parcialmente publicadas.

A ilha foi também visitada em 1934 pelo escritor português Raul Brandão, que com a sua obra Ilhas Desconhecidas muito contribuiu para a mitificação das vivências dos habitantes do Corvo, criando a imagem de uma idílica república comunitária que persistiu até quase aos nossos dias.

A partir do início do século XIX assistiu-se ao crescimento constante da emigração para os Estados Unidos e Canadá, com um interregno entre 1925 e 1955, num processo que se prolongou até meados da década de 1980.


Do século XX aos nossos dias


Em 1938 o Corvo teve pela primeira vez um médico residente, o dr. João Rosdrigues Ferreira da Silva, que ali permaneceu até 1945. O actual centro de saúde da ilha ostenta o nome daquele médico.

De 1950 a 1954, O Corvo teve um outro médico residente, Álvaro de Sousa e Brito, que ali viveu com a sua mulher e duas filhas, uma das quais ali nasceu com a assistência do seu próprio pai. O Dr. Álvaro de Sousa e Brito, para além da sua actividade clínica onde de inclui a sua preciosa contribuição para erradicar as epidemias de tifóide na ilha, também contribuiu juntamente com o padre Leoneto Melo do Rego, para desenvolver a banda de música já existente. Para ajudar os rapazes da ilha a terem uma actividade desportiva, iniciou a prática do voleibol.

Germinação com Turlock
Na década de 1960 a população da ilha viveu em constante oposição ao regime florestal imposto sobre o baldio da ilha, regime esse que levou ao fim da produção de lã, fazendo desaparecer totalmente as ovelhas da ilha, e com elas as tradições ligadas à tosquia, cardagem, fiação e tratamento das lãs, antes aspectos centrais da cultura corvina.



Vista aérea do Corvo
(Aeródromo)
Em 28 de Setembro de 1983, foi inaugurado o Aeródromo do Corvo,com uma pista de 800 metros de extensão. De início, as ligações aéreas entre o Corvo e a Terceira (Lajes) eram asseguradas por um avião CASA C-212 Aviocar da Força Aérea Portuguesa. A partir de 1991 esta aeronave foi substituída por um Dornier 228-212 da SATA, fazendo as ligações com Santa Cruz das Flores, Horta e Terceira (Lajes). O aeródromo é servido quatro dias por semana no período do Verão, e três dias por semana no de Inverno, podendo o número de voos ser alterado se a quantidade de passageiros assim o demandar.


Vila do Corvo

Vila do Corvo

A Vila do Corvo, também chamada erradamente de Vila Nova do Corvo, é a mais pequena dos Açores, com 425 habitantes (em 2001). A única povoação da ilha é constituída por um aglomerado de casas baixas com ruas estreitas e tortuosas que sobem as encostas, conhecidas localmente por canadas. Sofreu devido à emigração, principalmente para os EUA e Canadá.. 

A superfície do seu concelho corresponde a toda a superfície da ilha. O concelho mais próximo é Santa Cruz das Flores, tornando este o local habitado mais isolado de Portugal.

Medalha da Ilha do Corvo
(Caldeirão)
Durante o Inverno, as ligações marítimas, apesar de regulares, são fortemente condicionadas pelo estado do mar e pelo vento já que o Porto da Casa, o pequeno molhe que serve a ilha, não fornece abrigo que permita a operação com tempo adverso. No entanto, durante o Verão, chega a haver várias ligações por dia, usando barcos rápidos que fazem o trajecto entre o Corvo e Santa Cruz das Flores em cerca de 30 minutos.




Monumentos e museus

Do património arquitectónico existente, destaca-se a Igreja de Nossa Senhora doa Milagres, construída em 1795, que veio substituir a primitiva ermida. No seu interior, podem admirar-se a estátua da padroeira, obra flamenga do século XVI da escola de Malines, um Cristo em marfim e uma imagem em madeira de Nossa Senhora da Conceição, entre várias outras imagens existentes na igreja.

Além da igreja, é digna de ser visitada a Casa do Espírito Santo, no típico Largo do Outeiro, fundada a 1871, seguindo a traça simétrica típica das Casas do Espírito Santo das ilhas das Flores e Corvo.

Junto ao aeroporto existem os interessantes moinhos de vento típicos do Corvo, classificados como imóveis de interesse municipal. Dos cerca de 7 moinhos que existiram na ilha, apenas 3 moinhos se mantêm em funcionamento, embora já não sejam utilizados para o fim para que foram construídos.

O casario da vila é um verdadeiro museu vivo, também classificado como conjunto de interesse público, onde as pessoas mais antigas preservam no falar expressões arcaicas únicas com uma evolução linguística muito própria.

Em duas casas tradicionais cuidadosamente recuperadas foi instalado em 2007 um moderno centro interpretativo cultural e ambiental da ilha, com espaço museológico e galeria para exposições temporárias.

Um local a não perder é o Miradouro do Pão de Açúcar localizado na elevação do Pão de Açúcar, infelizmente desfeiteado por uma lixeira a céu aberto. O troço ascendente da estrada que conduz ao interior da ilha também proporciona vistas de grande beleza sobre a vila, a fajã onde ela se situa e a vizinha ilha das Flores.

O Caldeirão, a cratera central da ilha, com as suas lagoas e turfeiras, é uma das mais belas paisagens dos Açores. Foi ainda constituída ao abrigo da Directiva Habitats e da Directiva Aves o Sítio de Importância Comunitária Costa e Caldeirão do Corvo e a Zona de Protecção Especial da Costa e Caldeirão, hoje integrados no Parque Natural da Ilha do Corvo criado pelo Decreto Legislativo Regional nº. 56/2006/a, de 22 de Dezebro.

A ilha possui dois farolins para ajuda à navegação: um na Ponta Negra (desde 1910); o outro no Canto da Carneira, nas coordenadas geográficas 39º 42,98’ N e 031º 05,15’ W (desde 1965, agora inactivo).